Sofia Canha No passado dia 4 de Junho, Sexta-feira, uma notícia dava conta da alegada agressão a uma condutora por parte da entidade policial do Estreito de Câmara de Lobos. O Diário de Notícias salientou, em título, a vitimização da senhora que, alegadamente sob efeito de álcool e medicamentos, terá provocado danos materiais em outros dois automóveis. Não sei se se confirma a acusação sobre os agentes, a questão é que se colocou o ónus do problema provocado pela senhora na PSP. Essa senhora não tem responsabilidade pessoal e cívica? Não prevaricou? Não impediu que os agentes tivessem actuado com seriedade e profissionalismo? Os agentes são também seres humanos e com certeza imperfeitos. Toda a imprensa tem ou deveria ter responsabilidade pedagógica na formação cívica e humana dos cidadãos. Não se confina à responsabilidade e dever de informar. A vossa decisão de pôr em causa a autoridade de quem a detém por direito constitucional, seja qual for a entidade, não terá consequências adversas na consciência cívica? Não estará a passar a ideia de que os indivíduos prevaricadores são vítimas? Se todos cumpríssemos ou acatássemos a ordem pública, evitaríamos colocar-nos em situações de vulnerabilidade. Esta desresponsabilização transfere-se depois para outras esferas da sociedade e espera-se que alguém ou alguma entidade assuma a responsabilidade das infracções cometidas. A liberdade pessoal de decisão deve acompanhar a assunção dos próprios actos. Apelo ao Diário que tenha uma visão mais pedagógica da sua acção. Todos podemos contribuir para uma melhor sociedade e não será dando ouvidos ou projecção a acusações infundadas e injustas que se ajuda.