Mário Rodrigues Escrevo esta carta ao Homem, Amigo e Colega, por ocasião da sua passagem à aposentação no Serviço Público de Saúde, que não na sua muito apreciada actividade profissional. Caro Amigo, na altura que te pareceu mais adequada, optaste por deixar de trabalhar na Institução que te acolheu, ajudou a formar, e usufruíu do teus melhores anos de vida e de trabalho. Foi, certamente, uma opção ponderada e, sobretudo, pessoal. Outras razões, que desconheço e não me dizem respeito, tornaram-na flagrantemente pública e, por isso, também passível do meu comentário pela mesma via. Sou testemunha - e aqui o demonstro sem favor - da tua dedicação e capacidade de trabalho em prol do Centro Hospitalar do Funchal (hoje Dr. Nélio Mendonça, seguramente um dos teus mestres), em várias funções médicas, mas sobretudo como Director do Serviço de Ginecologia. E estou à vontade para fazê-lo, com grande conhecimento de causa, porque fui Director Regional dos Hospitais e Presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Funchal entre 1994 e 2000. Também por isso, e para além de toda a legitimidade que te assiste nesta opção - que só desfavorece a Instituição onde já fomos colegas de trabalho - me permito pensar que, como divugado, as razões próximas do teu "descontentamento" estão hoje, como há sete anos, muito próximas, pelo menos no que se refere ás pessoas envolvidas. O que não torna menos inaceitável e inqualificável, a apresentação de documentos referentes a essa época! Claro que as acções ficam com quem as pratica, mas as inferências, até pela surpresa, podem ser indevidamente alargadas! Vivemos numa era de total - e absurdo, permite-me o desabafo - relativismo. O que faz com que, se o permitirmos, tudo seja possível. Um abraço.