M. L. F. Fiquei estarrecida ao ouvir o comunicado do SESARAM, defendendo que "não há qualquer instabilidade", "não há qualquer caos" no funcionamento da saúde na região. Recordo que ninguém é bom juiz em causa própria. Porque não convidam os profissionais do hospital, para falar sobre o assunto, já que estes estão tão motivados e contentes com as actuais condições de trabalho? O Dr. Sotero Gomes poderia ter a intenção de sair. Certamente terá protelado essa decisão em favor da causa pública, mas foram as actuais circunstâncias que terão ditado a sua recente decisão. São vergonhosas as afirmações do Director Clínico, ao afirmar que "alguns dos casos que têm vindo a público são de pessoas que estão preocupadas em ganhar dinheiro e não com os doentes". Se o Dr. Miguel Ferreira tem tanta pena dos doentes, porque continua a fazer clínica privada, ao invés de dedicar-se a tempo inteiro ao hospital, às pessoas de mais fracos recursos? Digo mais: que autoridade tem para dirigir um serviço público de saúde - ainda por cima com arrogância e sem diálogo - quando sabemos que agiu contra a lei, ainda antes da aprovação da IVG? Foi com pena? Ou não se aproveitou da fragilidade das pessoas para ganhar um "bom" dinheiro? Já que não conseguem ter mão nos profissionais de saúde, procuram atirar areia para os olhos do povo com atitudes populistas, como a entrada indiscriminada de visitas para os doentes. Quem barra a entrada de pessoas indesejadas no hospital? No outro dia, fui testemunha de um grupo que abancou num quarto de hospital e só faltou a espetada para pensar que estava num típico arraial madeirense. Como podem os profissionais de saúde trabalhar num ambiente assim? Os doentes não merecem, também, respeito e sossego? Esta é uma atitude populista, com o único intuito de enganar a população e ganhar votos de qualquer forma. Este não é um mal-estar de gabinete, circunscrito a uns quantos senhores doutores. Isto atinge, também, os enfermeiros e todos aqueles que procuram servir. Se não existe motivação poderá haver qualidade no Serviço Regional de Saúde? É a pergunta que vos deixo.