António Fernandes O que se passou com o Dr. Gil Alves e a Dra. Dóris, não são casos isolados, mas prática comum da parte dos responsáveis do SRS, nomeadamente o Sr. Secretário, Dr. Jardim Ramos e o Presidente do SESARAM, Dr. Almada Cardoso. Estes escondem-se por detrás de algumas decisões "precipitadas" e "preocupantes", usando as palavras "amenas" do Bastonário da Ordem do Médicos. Quero deixar bem claro que não me identifico com qualquer partido, embora reconheça o grande mérito do Dr. AJJ, na defesa da Madeira. Mas como pode o Presidente do Governo alhear-se da degradação da Saúde na Região? Basta estar atento e ver o que se passou ao nível dos directores de algumas unidades de saúde, como, por exemplo, o Centro Agostinho Cardoso (o site está desactualizado!), o Programa de Saúde Oral, o Agrupamento do Funchal, para já não falar no Hospital. Despedem-se os bons médicos e colocam-se no seu lugar os familiares, os namorados destes, os amigos e conhecidos. Para além de satisfazerem os interesses familiares (do sangue ou da política), a substituição dos bons clínicos pelos "amigos" permite que estes digam "sim" a todos os desmandos. Pois nem tudo o que é legal é eticamente aceitável. E ai de quem levante a voz para denunciar o que quer que seja em defesa do cidadão comum que os elegeu. É logo "despachado" para outra unidade de saúde qualquer ou despromovido da função que ocupava. Existe um ambiente ditatorial e persecutório. Basta de arrogância e vingança por parte dos responsáveis da Saúde! Com a desculpa da "rentabilização", "reestruturação dos recursos" e "contenção de despesas", vão fazendo o que querem. Tenho um familiar que ao pedir análises ao seu médico, este disse-lhe que não podia fazer as análises em qualquer laboratório, mas apenas nos Centros de Saúde. Antes qualquer utente, mesmo indo ao Centro de Saúde, era livre de tirar o sangue no laboratório que quisesse. Os utentes do SRS já não têm liberdade de escolha. Conclusão: o SRS, não tendo capacidade para responder a tantos pedidos em tempo útil, provocará uma procura dos laboratórios privados. E os pobres que não podem pagar, ficam uma eternidade à espera do resultado dos seus exames? O mesmo se passa com os exames de Raio X. Só podem ser realizados em três lugares: Campo da Barca, Hospital dos Marmeleiros e Dr. Nélio Mendonça. Tudo para alimentar a clínica privada de certos senhores, desde que entrou em funções o actual Secretário e este Conselho de Administração. Onde estão os rastreios, nomeadamente do colo do útero e da mama? Apenas no hospital! Tenho familiares médicos que me dizem que a prevenção deve ser da responsabilidade dos Cuidados Primários e nunca do hospital. O hospital é sempre o fim de linha, devendo os Centros de Saúde, pela proximidade com as populações, realizar estes rastreios. Só alguém que não percebe nada do assunto pode permitir tal coisa. Penso que se o Dr. AJJ soubesse da real degradação do SRS, já teria agido em tempo útil. Ao Sr. Secretário dir-lhe-ia: para quê adiar uma decisão inevitável? Manter-se no lugar custe o que custar para poupar politicamente o seu partido? Acho preferível assumir as consequências políticas antes que seja tarde demais, porque a Saúde e os Madeirenses merecem maior respeito e consideração. Com a constante saída dos bons profissionais de saúde para a privada, fica o SRS mais pobre, pagando a factura a população. Se o SRS quisesse pautar-se pela excelência na prestação de cuidados de saúde, colocaria o utente no centro do sistema e não meia dúzia de senhores que de "doutores" têm muito pouco! A situação actual lembra o derrame de petróleo do golfo do México: parece não ter fim à vista… a actual "sangria" no que se refere à saída dos profissionais de saúde. Vive-se o momento mais crítico do SRS desde a sua criação pelo Dr. Nélio Mendonça. Com a continuação desta politização da saúde perde o partido, perde a região e perdem, sobretudo, os utentes do SRS.