Para além das questões levantadas no meu artigo de 4 de Junho, sob a mesma perspectiva de futuro e sem esgotar o tema, existem outras, relacionadas directa ou indirectamente com o '20 de Fevereiro', que despertaram a minha atenção, durante a última estada na Madeira, e que ao bem comum dizem respeito, comprometendo e em nada abonando a favor duma região de turismo que aspira à excelência. Na frente-mar, deixando a zona central dominada pelo Palácio, para poente, ao longo da velha estrada da Pontinha, dominando o chamado cais norte, há uma obra que se arrasta. Depois de para aquela zona, recorde-se, ter sido decidido construir um aquário marítimo, objecto que foi de um concurso em que foram investidos tempo e dinheiro e anunciado o projecto ganhador, da autoria do Arquitecto Manuel Salgado, desvaneceram-se as expectativas, caindo no esquecimento ou guardando-o em segredo. Em lugar do aquário, ao que parece para apoio do terminal de cruzeiros e serviços da APRAM além de actividades náuticas, prossegue a tal obra sem fim à vista e com sérias consequências para o trânsito de peões que se faz em condições indesejáveis. A acrescer à sua precariedade, que a todos afecta, há que atender ao facto de se tratar de uma zona de passagem de inúmeros turistas, não só os passageiros dos navios de cruzeiro mas também de turistas que, vindos da zona dos hotéis, descem a Rua Carvalho Araújo a caminho do centro do Funchal, aspirando a um agradável passeio à beira-mar. Em vez disso, são obrigados a deslocarem-se na nesga que resta de passeio, ao longo do tapume de madeira e a faixa de circulação automóvel da Avenida Sá Carneiro, o que é inaceitável e para que se alerta. Ora, mantendo tudo o que já foi escrito a propósito da zona do cais, incluindo a do famigerado aterro e sobre "a remoção definitiva dos estabelecimentos de restauração de gosto e qualidade mais que duvidosos", importa também acelerar a remodelação da marina, o que afecta também um número apreciável de postos de trabalho, urgindo que os poderes públicos assumam com celeridade e como lhes compete, a responsabilidade no sentido de pôr termo à indefinição que parece subsistir relativamente a toda a área. Deixando a frente-mar, existem outras zonas que requerem atenção prioritária dos urbanistas, limitando-me, para já a citar apenas 3 situações. A primeira tem que ver com o edifício Minas Gerais, na Rotunda do Infante, embargado há mais de dois anos, uma situação quase escandalosa a que, segundo parece, se acrescentam agora aspectos derivados da necessidade de revisão do Plano de Urbanização da Ribeira de São João, em resultado do '20 de Fevereiro', o que até parece uma desculpa de mau pagador. Uma outra, ao cimo da Avenida do Infante, na esquina da Rua do Jasmineiro, é a do prédio, em estado de degradação, há uns 10 anos ou mais, tendo contíguo um outro terreno em abandono, em plena Avenida do Infante, um espectáculo de desmazelo, impondo da parte de quem de direito, uma imposição legal que acabe com a situação. A terceira, na mesma zona, é o Hotel Savoy, abrangendo a quase totalidade do quarteirão entre a Avenida do Infante, a Rua Favila, a Rua da Imperatriz e o Beco da Imperatriz, de que pouco se conhece sobre o que vai, efectivamente, ali acontecer, exceptuando a demolição em curso, que está bem à vista. A preocupação, quanto ao que vai nascer, justifica-se e, enquanto, talvez, seja tempo, antes de consumado o "susto" que se adivinha, faz que se alerte para a necessidade de serem evitados "excessos", precavendo que a nova construção se torne numa muralha ondulante, imensa, desde o referido Beco à Rua Favila, com uma dúzia de pisos acima do solo, roubando o sol e a vista a tudo o que fica entre a Avenida do Infante e a Rua dos Ilhéus. A rematar, com toda a sinceridade, o facto de poder ser acusado de "profeta da desgraça", não me incomoda minimamente, na certeza que os meus lamentos e apelos são pela Madeira - sempre e só pela Madeira.
Francisco Leite Monteiro