Francisco Leite Monteiro A propósito da 'Carta do Leitor' publicada em 25, sobre Aristides Sousa Mendes, para benefício dos leitores e para um mais completo entendimento dos aspectos focados, vale a pena acrescentar alguns detalhes complementares. Efectivamente Sousa Mendes era cônsul de Portugal em Bordéus, no início da II Guerra Mundial e, na sequência da invasão da Polónia e sucessivamente dos Países Baixos e da França, e da perseguição movida por Hitler, foi ele que, contrariando ordens de Salazar - que então com as de Presidente do Conselho, acumulava as funções de Ministro dos Negócios Estrangeiros - concedeu mais de 30.000 vistos a refugiados, na sua maioria Judeus, o que lhe valeu ser deposto e reformado compulsivamente, sem qualquer remuneração. Complementando o que a carta refere, para além da tal rua a que os Judeus deram o seu nome, Aristides Sousa Mendes, é bem lembrado pelos Judeus, nomeadamente pela organização judaica, o Yad Vashem, que o homenageou, atribuindo-lhe a Medalha de Ouro dos Justos, a sua mais alta distinção, salientando que "Quem salva uma vida humana é como se salvasse um mundo inteiro". Por outro lado, a sua recordação, a par da de muitos Não-Judeus que salvaram Judeus durante o Holocausto, foi igualmente perpetuada, no Monte Herzl, em Jerusalém onde, na Alameda dos Justos, foi plantada uma árvore, em sua memória, como há dois anos, numa peregrinação à Terra Santa, tive oportunidade de, pessoalmente, constatar. A Nação Portuguesa, ainda que algo mais possa fazer, o que se não disputa, diria que se redimiu já das injustiças praticadas contra Aristides Sousa Mendes, ao ser atribuída pelo Presidente da República, em 1979, a título póstumo, a Ordem da Liberdade além de, como é público, ter sido promulgada, em 1988, pela Assembleia da República e pelo Governo, também a título póstumo, a sua reintegração na Carreira Diplomática, com promoção a Embaixador.