Fátima Lucas A empresa Horários do Funchal que deveria estar ao serviço dos seus utentes, por vezes comporta-se como se os passageiros estivessem ao serviço de empresa pública. Ou será uma empresa militar em que o utente é tratado como um recruta, que obedece e cala, por mais que injusta seja a ordem, vinda de uma "coronel" qualquer? Que eu saiba, é uma empresa de capitais públicos, que recebe todos os anos do orçamento regional (dinheiro dos nossos impostos) verbas para compensar os défices de exploração da empresa. Será que está a ser bem administrada? Aqui haveria matéria para outra carta do leitor! Mas o que me faz escrever aos leitores do Diário de Noticias é a humilhação e o vexame que a empresa provoca aos seus utentes, quando por qualquer razão o cartão giro acabado de carregar, não é validado pelo equipamento do autocarro, como se a culpa fosse do utente. Já tinha assistido em outras ocasiões a esse vexame e indignidade de colocar passageiros na rua, com cartões pagos e com recibo a comprovar esse pagamento, a serem colocados no "olho da rua", mas só verifiquei o real drama quando isso aconteceu comigo. Por ter sido no Dia Mundial da Criança e porque já assisti à mesma cena com crianças indefesas e sem poder contestar a decisão ultrajante da empresa, de as colocar na rua, mesmo apresentando o talão de pagamento das viagens, decidi protestar em nome delas, e de todos os utentes que são vitimas desta aberração da empresa Horários do Funchal. No passado dia 1 de Junho, carreguei o meu cartão giro com 2 viagens, e 10 minutos depois o validador de bordo não reconheceu as viagens e o condutor colocou-me 2 situações: Ou pagava novamente a viagem ou tinha de me pôr na rua, sem saber se eu tinha mais dinheiro, ou se estava de acordo em aceitar esta arbitrariedade da empresa. Em nome das crianças e dos utentes que são enxovalhadas por esta empresa pública, decidi não abandonar o autocarro até à chegada da policia, para que este incidente ficasse registado na PSP, para que posteriormente possa nas instâncias competentes solicitar a respectiva indemnização por danos não patrimoniais, assim como o respectivo serviço de táxi para minha residência. Será que não há um cérebro na aquela empresa, que resolva esta caricata situação de colocar passageiros na rua, mesmo mostrando o talão de pagamento de viagens, quando o validador do autocarro resolve não funcionar? Já agora vai uma sugestão: Que exista sempre a bordo um cartão de substituição com um número mínimo de viagens para entregar ao utente, quando o seu cartão com o respectivo recibo de pagamento não é validado a bordo, responsabilidade única e exclusiva da empresa Horários do Funchal e não do utente. O condutor fica com o contacto do passageiro, para que empresa posteriormente possa pedir desculpas pelo incómodo e substitua o cartão que o equipamento de bordo não conseguiu validar. Apelo ao Provedor de Justiça, ao Gabinete de Defesa do Consumidor, às actividades de fiscalização de transportes públicos, em último lugar à Secretaria Regional de Turismo e Transportes, que tem a tutela da Horários do Funchal, que façam qualquer coisa para acabar de uma vez por todas com esta aberrante humilhação de colocar utentes no "olho da rua" quando comprovadamente fazem prova de que pagaram as respectivas viagens. A bem dos Transportes Públicos Colectivos.