Francisco Leite Monteiro É verdadeiramente lamentável o aproveitamento político, o populismo e a demagogia de certas afirmações produzidas a propósito da morte de Saramago e a despropósito da não participação do Presidente da República e do Presidente da Assembleia da República, nas cerimónias fúnebres.

O reconhecimento do seu talento, como escritor, a quem foi atribuído um Nobel da Literatura, é um facto inquestionável, quer se goste ou não do que era o seu estilo, quer se entenda ou não o que pretendia com o que escreveu, quer se concorde ou não com a que era a sua estranha maneira de pensar e de olhar o mundo e o que está para além dele. Todavia, a intolerância, a arrogância, a altivez, levada a extremos que ficam para além da sua morte, não podem, a partir de agora, pelo simples facto de o escritor ter desaparecido deste mundo ignorar-se, como tal perdoando e esquecendo.

Não pode assim ignorar-se a sua ideologia anti-religiosa que o levou a por vezes proferir afirmações caluniosas e intoleráveis, assim como certas declarações ofensivas para a Pátria onde nasceu, a ponto de mais de uma vez, em entrevistas publicadas na media nacional, ter defendido a integração de Portugal no Reino de Espanha, como uma província espanhola, facto que simplesmente comentei, lembrando a determinação dos portugueses em Aljubarrota em 14 de Agosto de 1385 e a restauração da independência em 1 de Dezembro de 1640, com consequências políticas irreversíveis, como todos temos presente.