A crise económica engole-nos de tal forma, que só mesmo uma manifestação desportiva de dimensão mundial pode eventualmente anestesiar-nos por algum tempo, dependendo este da permanência de Portugal na África do Sul.

A necessidade de um sucesso desportivo( dos poucos que pode unir os credos da mais variada tipologia) através da nossa selecção nacional de futebol poderá, por si só, dar-nos alento a enfrentarmos com outra disposição o ciclo terrível que atravessamos.

Por outro lado, pensamos que a nossa comunidade portuguesa emigrante, em particular os trezentos mil madeirenses que ali residem e que todos os dias enfrentam as dificuldades de um país com graves problemas de segurança, sentem uma nostalgia especial pela presença da Selecção Nacional Portuguesa e pelo madeirense mais conhecido em todo o mundo, Cristiano Ronaldo.

As manifestações de apoio têm sido constantes, empunhando bandeiras portuguesas e madeirenses e nem o som "irritante" das vuvuzelas consegue abafar a forma entusiástica do sentir lusitano, quebrando momentaneamente as saudades de um fado triste, que obrigou muitos a deixarem a sua terra para procurar vida melhor noutras paragens.

Por cá, não nos contentamos só com a presença no Mundial.

Precisamos urgentemente que "alguém" nos dê umas vitórias porque de derrota em derrota já andamos há algum tempo e por isso é vê-los, treinadores de bancada, em qualquer conversa animada a dar uns "bitaites" ao seleccionador. Ainda bem que as vuvuzelas impedem que tais informações lá cheguem…… Queremos triunfar no futebol, mas ficamos invejosos pelo que ganha o Cristiano Ronaldo, o José Mourinho e outros.

interessante seria reflectirmos porque triunfam eles? Que têm de especial? Porque vencem tanto ou então porque é necessário sair do seu país como tantos emigrantes para serem exemplos de coragem, com tanta vontade de triunfar?

A actividade desportiva é uma fonte de inspiração para vencermos muitos obstáculos, inclusive para unir a sociedade e foi assim que Nelson Mandela primeiro apostou no Rugby e depois no Futebol para unir a sociedade Sul Africana e projectar o seu país no mundo, sendo ele um dos maiores exemplos de lutador, de coragem, de perdão e "fair-play".

O que devemos ir buscar a este mundial não são só as vitórias desportivas, é também tirar partido de todo este envolvimento social que nos une em torno da nossa selecção e potencia-lo para o nosso dia a dia, em busca de uma sociedade que cresça e se desenvolva para o bem de todos.

As vuvuzelas irritam-nos com aquele barulho ensurdecedor, mas ficarão para sempre gravadas na nossa memória como símbolo de um país que se afirmar ao mundo e hoje qualquer criança e não só quer uma vuvuzela.

Portugal começou a fase de grupos com um empate defrontando uma equipa africana com excelentes jogadores. Queríamos a vitória mas tudo está em aberto para irmos muito mais longe.

Uma saudação especial aos portugueses e madeirenses que vivem na Africa do Sul e aproveitem o momento. Força Portugal, força Madeira.

Jaime Lucas