António Ferreira Não sendo eu grande adepto do desporto-rei, há um aspecto do futebol que me fascina. Toda a paixão depositada nos clubes de futebol, nos jogadores, nas equipas técnicas, é de uma tolerância exemplar. Tudo o que interessa ao comum adepto de um clube, seja o que ele qual for, é ganhar jogos, independentemente da cor, credos, raça ou ideias políticas dos seus homens no campo. Seria impensável imaginar um Barcelona sem um argentino, um Real Madrid sem um português, um Chelsea sem um costa-marfinense, e, muito dificilmente os Benfiquistas se poderiam intitular de gloriosos sem um Eusébio.

Os campeonatos de futebol mais competitivos: o inglês, o espanhol e o italiano ficariam absolutamente áridos sem diversidade. Juntando a este aspecto, no futebol também podemos falar de meritocracia, os milhões auferidos por Messi ou Ronaldo devem-se exclusivamente as suas capacidades e proezas, ao reconhecimento generalizado do seu talento.

O exemplo da predominância do futebol europeu, com base nos pressupostos descritos, deve servir de exemplo para políticos, empresários, economistas e sociedade civil, dado que o modelo de pluralismo, tolerância e diversidade cultural são fundamentais para o crescimento e prosperidade económica e o bem-estar de todos. Pensar que devemos ter políticas e uma forma de estar inclusivas e evitar a exclusão e a opressão, mesmo que esta seja vaga e difusa, pode ser predominante para o futuro de um país periférico e, de certo modo, marginal como é o nosso Portugal. Confesso que sou um patriota, mas ambiciono que este país, que deu mundos ao mundo, mantenha uma linha coerente de humanismo, pluralismo, tolerância e liberalismo, e tenho a convicção profunda que será este o único caminho para singrarmos num mundo imprevisível, onde a posição do Ocidente, e os seus valores, lentamente vão desfalecendo.