Violante Saramago Matos Na passada 6ª feira, não fora a enorme tristeza pela morte da minha amiga, e teria dado uma boa gargalhada pela primeira página do DN: em manchete «Jardim quer ajustar contas com 500 anos» e logo abaixo uma vuvuzela anunciava que «O espectáculo vai começar». É caso para perguntar se o DN tem algum adivinho por conta…

O espectáculo vai começar e os ensaios já se fazem. Sempre achei que as actuais manifestações de amor entre presidentes do governo eram próprias daqueles casamentos de conveniência que estouram quando uma das partes já não tem conveniência nenhuma. E pelos vistos um dos cônjuges já anda a arranjar razões para divórcio que, como sempre, será 'de faca na liga'.

Curiosa, fui à procura do tal despacho do Deve e do Haver e também abri a página do Centro de Estudos de História do Atlântico (CHEA). Estou baralhada! Temos ou não uma situação que ameaça convulsionar as sociedades de uma forma tão profunda que os resultados são bastante imprevisíveis? O liberalismo económico não impôs um regime de dominação que tende a destruir valores e direitos, e ameaça os alicerces e os princípios do Estado Social? Há ou não, em todo o mundo, desafios novos e muito difíceis para enfrentar?

Tudo isto será verdade mas, agora, a Região tem uma preocupação primeira: o Deve e o Haver! É o que explica a obrigatória disponibilidade dos serviços do Governo Regional, o destacamento de professores, os estágios profissionais de licenciados - sempre baixa o desemprego qualificado. A bem dizer, temos uma administração pública regional a quem se adjudicou a assessoria a este bendito 'estudo'.

Ainda mais curioso é que do plano de actividades do CEHA para 2010 consta um estudo sobre a «História Contemporânea da Madeira - O Deve e o Haver na República», com 6 investigadores…

Quantos são, afinal, os estudos? Um, dois, ou três? - que, se bem me lembro, o historiador agora indigitado já fez um estudo semelhante há anos … Será que o montante a que então chegou não foi suficiente?

Difícil deve ser reunir, num período útil de tempo (até às próximas eleições, o mais tardar) documentação certamente tão diversa e complexa. É que com os sucessivos contextos históricos, os diversos conceitos de mercados e operações de troca, a variedade de moedas desde que o Zarco aqui chegou, com desvalorizações e valorizações, inflações e deflações, nem quero imaginar a quantidade de facturas acumuladas em mais de 500 anos!

Ah, e é preciso não esquecer o período dos Filipes de Espanha. Alguém tem uma cunha para a casa real espanhola? Já agora, que não dificultem as contas... É claro que eles não percebem para que raio é que isto serve, agora. Explicar-lhes será difícil até porque para isso, teriam de começar por perceber o que é o famigerado contencioso das autonomias, alternadamente enterrado e ressuscitado conforme dá jeito. E eles sempre devem ter mais que fazer.