Diana Rodrigues Estive fora e quando voltei ela já tinha partido.

Não quero deixar de registar o meu testemunho em relação à Maria Aurora. Tive o privilégio de conhecê-la e de ter participado num seu programa de televisão. Seria impertinência minha dizer que éramos amigas, mas gosto de pensar que ela nutria por mim um certo carinho. Da minha parte, tinha por ela uma grande admiração. Aliás, "grande" é uma palavra que aparece sempre a reboque do seu nome. A Maria Aurora era uma grande mulher. Grandes ideias, grandes convicções, grandes paixões, grande talento, grande profissional, grandes gargalhadas. Tinha um grande sentido de humor e aquela característica inequívoca de quem tem realmente auto-confiança: a capacidade de rir-se de si própria. Impressionava-me tanto por aquilo que era como pelo que não era. Não era troca-tintas. Não era importante, nem arrogante, nem mesquinha. Só quem era fraco, desonesto ou burro se podia sentir ameaçado por ela. Com ela não havia assim-assim, nem morno, nem cinzento. Inteligente, viva e muito humana, falava das coisas com entusiasmo e gostava muito das pessoas. E praticava o que pregava.

Sem ela, ficou um grande vazio. À filha que conheço, a Xinha, mando um apertado abraço; à demais família e aos sortudos que se podem considerar realmente amigos, sentidas condolências. Uma vez a Maria Aurora propôs-se explicar-me como era o amor que se sentia por um neto. Era uma coisa muito grande e muito linda. Como ela.