Um grupo de encarregados de educação da Escola da Pena Como encarregados de educação responsáveis, vimos por este meio manifestar a nossa profunda discordância e descontentamento com o modelo de turno cruzado que a SREC tem vindo a impôr às escolas do 1º ciclo da Região. O modelo em causa não obriga legalmente as escolas, mas pressiona-as a colocar todas as turmas do 1º e 2º anos no turno da manhã e todas as turmas dos 3º e 4 anos no turno da tarde, de forma cega, sem analisar as especificidades e as consequências de cada caso, como manda o bom senso. Já tentamos sensibilizar a Direcção da Escola da Pena para que, em casos específicos, decida no melhor interesse das crianças, mas a verdade é que tanto esta escola como todas as outras do 1º ciclo da Região têm receio de contrariar a fortíssima pressão exercida pela SREC. Ora, o modelo imposto pela SREC tem falhas graves, a saber: 1. O modelo de "turno cruzado" só tem como preocupação a gestão de espaços e pura e simplesmente ignora os aspectos pedagógicos e humanos das crianças abrangidas; 2. Por exemplo, as crianças que transitem para o 3º ano no próximo ano lectivo correm o sério risco de perderem o docente que as acompanhou nos primeiros dois anos de escolaridade, uma vez que os professores podem escolher o seu horário e não continuar com a turma no turno da tarde, por razões familiares ou pessoais perfeitamente compreensíveis. No entanto, é fundamental do ponto de vista pedagógico que seja o mesmo docente a acompanhar a turma até ao fim do primeiro ciclo de ensino. A SREC abdica totalmente desta orientação para aplicar cegamente o modelo de turno cruzado, prejudicando as crianças, cujo interesse deveria ser o primeiro a salvaguardar. Aliás, sabemos que a mudança de professor a meio do primeiro ciclo tem vindo a tornar-se cada vez mais frequente nas escolas da Região, devido à imposição deste modelo. A SREC esquece também a vertente psicológica que este assunto envolve, ignorando o impacto emocional que uma mudança de professor pode ter em crianças deste nível etário; 3. A SREC argumenta que o modelo em causa é apenas "uma orientação geral" e que cada escola pode analisar as situações caso a caso e decidir em conformidade, mas a verdade é que a SREC exerce uma pressão insuportável sobre as escolas para aplicarem o referido modelo, não dando qualquer margem para excepções, sejam quais forem as consequências; 4. O modelo em causa não considera os casos dos alunos com necessidades especiais e as crianças que revelam dificuldades de aprendizagem. De acordo com especialistas na matéria e com a própria Direcção Regional de Ensino Especial, é a todos os títulos recomendável que estas crianças desenvolvam as suas actividades curriculares no turno da manhã; 5. A SREC não tem em conta as actividades realizadas pelos nossos filhos fora da escola, como por exemplo música e desporto, e que geralmente só se encontram disponíveis no período da tarde. A mudança de turno para a tarde implicará que os nossos filhos tenham que abdicar destas actividades, que são também importantes no seu desenvolvimento. Aliás, toda a organização e todo o ritmo de trabalho a que estas crianças estão habituadas sofrerá transtornos, bem como toda a compatibilização de horários existente com as responsabilidades profissionais dos pais. Urge corrigir este modelo que só tem gerado descontentamento e mal estar nas escolas e nos encarregados de educação. É preciso dar maior autonomia às escolas do 1º ciclo para que as mesmas possam gerir esta situação no melhor interesse dos alunos e dos encarregados de educação. Impôr este modelo de forma autoritária às escolas e aos encarregados de educação é fazer precisamente o contrário do que o Senhor Presidente do Governo Regional defende: "A politica é um instrumento ao serviço da pessoa humana".