João Freitas A crise económica-financeira recente, determinou a ajuda dos Estados com injecção de capital nas suas economias de modo a evitar uma recessão profunda mas, fez com que os seus deficits públicos atingissem valores insustentáveis que, rápidamente, se foram reflectindo nos mercados financeiros, devido ao aumento do risco, e consequente aumento dos juros exigidos pela emissão de obrigações do tesouro e a continua instabilidade das bolsas de acções. Estas circunstâncias têm determinado alterações nas estruturas sócio-económicas dos países, com maior ou menor profundidade; onde ocorreram e ocorrem fecho de empresas, desemprego, diminuição do rendimento das famílias e a inevitável alteração de estilos de vida. A decisão das famílias e dos indivíduos nos seus gastos é assim afectada e, verifica-se nos fluxos de turismo para a RAM e outros destinos a tendência de quebra da procura, que se reflecte no menor fluxo de aviões e turistas nos aeroportos, na menor taxa média de ocupação dos hotéis, na diminuição do RevPar hoteleiro, na maior dificuldade em manter o ponto crítico das vendas (isto é:quando as receitas são iguais aos custos fixos, e permite que a partir desse momento se gere lucro), na consequente redução da margem de lucro e que traduzirá a atractividade da indústria ao investimento. As recentes medidas de austeridade anunciadas pelos governos de vários países da U.E. e, que são, alguns deles, referenciais emissores de turismo para a Região, deixam antever a continuidade da quebra na procura turística, e que poderá acelerar as dificuldades já a serem geridas na actividade turística, em que infraestruturas hoteleiras foram implementadas considerando um cenário de evolução da economia, que não é o actual, e previsivelmente, também não o será nos próximos anos. Estas circunstâncias poderão já estar a afectar algumas unidades e a condicionar a sua continuidade. Pelo exposto, parece que o tempo urge e, seria oportuno a criação de um"think-thank" (grupo de trabalho), que reunisse pessoas com experiência e conhecimento, afim de: recolher dados, analisá-los, compará-los com outros destinos, e descrever possíveis cenários de evolução e soluções fundamentadas passíveis de serem adoptadas. A atitude de "esperar para ver", certamente, não seria a mais desejada, afim de que em tempo útil, decisões adequadas pudessem ser aplicadas de modo a atenuar a previsível evolução negativa da situação, em que depois a sua recuperação revelar-se-ia ainda mais difícil. (….)