A falta de procura mantém-se. Prova de que não basta esbanjar em promoção A espécie de voluntariado para com o destino Madeira, mais preponderante após a tragédia de 20 de Fevereiro, não resolve o problema estrutural: a falta de procura. As boas vontades são muitas. Depois de Sócrates elogiar a natureza intacta comungada na Festa da Flor e no 'jogging' de Abril, Cavaco Silva decidiu-se por um polémico apelo ao turismo interno, como forma de combater o desemprego e ajudar à melhoria das condições de vida. Já antes, os 'Fãs' desafiavam a nação que ainda tem direito a férias a optar pela Região e a APAVT escolhia o Funchal como palco de mais um emblemático congresso. Nem uns nem outros sararam para já a ferida que sangra. Pior, como a louvável solidariedade continua a não gerar receitas, quem tem responsabilidades no sector desespera e decide nem sempre com lucidez. E por mais milhões, que por lapso foram só milhares, esbanjados num festival de rock, 'pro bonos', saldos, descontos, notícias 'cor de rosa' e afins, as campanhas de promoção do destino turístico de excelência teimam em não convencer os turistas. Os últimos números são dramáticos e não serão os noivos de Santo António de Lisboa que passam a lua de mel por estas bandas a inverter a tendência. Salvo honrosas excepções, a pérola hoteleira, a mais dada à humilhação, perde brilho. Nalguns casos, pelo mau serviço. Noutros, pelos preços praticados. E ainda pela falta de autenticidade e de visão que negou parcerias com operadores que garantem volume e que descurou a potencialidade das redes sociais. Importa também ter hábitos que definem posturas. É sintomático que num destino com tradição se considere "histórica" uma reunião que colocou os hoteleiros a debater a competitividade do sector. Essa não devia ser uma prática regular? Como se explica a ausência de reflexão nas últimas duas décadas? E que é feito do Conselho de Promoção? Que será de nós sem o turismo, logo agora que o CINM agonia? Ricardo Miguel Oliveira

A falta de procura mantém-se. Prova de que não basta esbanjar em promoção

A espécie de voluntariado para com o destino Madeira, mais preponderante após a tragédia de 20 de Fevereiro, não resolve o problema estrutural: a falta de procura. As boas vontades são muitas. Depois de Sócrates elogiar a natureza intacta comungada na Festa da Flor e no 'jogging' de Abril, Cavaco Silva decidiu-se por um polémico apelo ao turismo interno, como forma de combater o desemprego e ajudar à melhoria das condições de vida. Já antes, os 'Fãs' desafiavam a nação que ainda tem direito a férias a optar pela Região e a APAVT escolhia o Funchal como palco de mais um emblemático congresso. Nem uns nem outros sararam para já a ferida que sangra. Pior, como a louvável solidariedade continua a não gerar receitas, quem tem responsabilidades no sector desespera e decide nem sempre com lucidez. E por mais milhões, que por lapso foram só milhares, esbanjados num festival de rock, 'pro bonos', saldos, descontos, notícias 'cor de rosa' e afins, as campanhas de promoção do destino turístico de excelência teimam em não convencer os turistas. Os últimos números são dramáticos e não serão os noivos de Santo António de Lisboa que passam a lua de mel por estas bandas a inverter a tendência. Salvo honrosas excepções, a pérola hoteleira, a mais dada à humilhação, perde brilho. Nalguns casos, pelo mau serviço. Noutros, pelos preços praticados. E ainda pela falta de autenticidade e de visão que negou parcerias com operadores que garantem volume e que descurou a potencialidade das redes sociais.

Importa também ter hábitos que definem posturas. É sintomático que num destino com tradição se considere "histórica" uma reunião que colocou os hoteleiros a debater a competitividade do sector. Essa não devia ser uma prática regular? Como se explica a ausência de reflexão nas últimas duas décadas? E que é feito do Conselho de Promoção? Que será de nós sem o turismo, logo agora que o CINM agonia?

Ricardo Miguel Oliveira