Por mais que a propaganda e o marketing político procure ocultar a verdade e o discurso político oficial tente dourar a pílula, os portugueses já perceberam que foram enganados e que têm uma pesada factura para pagar. Como perceberam que a responsabilidade primeira pela grave situação em que nos encontramos decorre de opções políticas erradas que conduziram ao descontrolado endividamento do País. É certo que a crise internacional, por nos ter apanhado já em crise interna, tornou a nossa situação mais grave, a ponto de sermos obrigados a medidas, como o aumento de impostos e de retracção do investimento que, sendo indispensáveis por razão da nossa degradação financeira, são o contrário do recomendado para estimular a economia e fazê-la crescer. A cura de um lado agrava a doença do outro, ou seja, a recessão. Apesar de tudo, mas significando que a sociedade civil (agentes económicos), fez mais pelo País, que o Estado, o primeiro trimestre regista um crescimento ligeiramente acima do esperado. Interessante é que, por curiosa coincidência, o I.N.E. anuncia a dita boa nova, exactamente no dia em que o Estado Português, continuando o seu endividamento galopante, procedeu à emissão de um empréstimo (Obrigações do Tesouro), no valor de 1.500 milhões de euros, cujo juro (5,225%), regista mais 0,72 pontos do que idêntica operação realizada em Maio, e está acima do fixado para a Grécia, nos empréstimos a que recorreu na ajuda financeira da U.E. e do F.M.I. Esta não é uma boa notícia e contradiz, infelizmente, o sinal que se desejava positivo do crescimento do primeiro trimestre. O anúncio, por coincidência (?), no mesmo dia, dos factos acima referidos, acaba por evidenciar as nossas contradições. Como vem referindo, à exaustão, o Presidente da República, e repetiu, agora, no excelente discurso do 10 de Junho, é preciso dizer a verdade aos portugueses e explicar-lhes porque lhes estão a ser pedidos mais sacrifícios. Temos um povo extraordinário que, aliás, aqui, na Região, tem ainda expressão maior das suas qualidades, a quem é preciso assegurar esperança no futuro, o que passa por um contrato de confiança entre governantes e governados, baseado na verdade. Não se pode, por tudo e por nada, faltar à verdade, provocando o vexante desmentido de Chico Buarque a propósito do encontro com Sócrates, como ocultando o correcto número de mortes na estrada, o que não impede que estejamos nos três países com maior sinistralidade na Europa a 27. Não é pela mão do maior Partido da oposição, que pôs o País acima de tudo, que se instalará, em Portugal, um sentimento colectivo de pessimismo derrotista! Assim, procedesse, como lhe competia, o maior Partido da Oposição, na Madeira, o que só não é grave pela irrelevância política em que se auto-colocou! Não posso terminar sem uma palavra sobre o desnorte que o Governo revela ao atacar, através da Ministra do Trabalho, o líder do PSD, quando sugere a flexibilização da legislação laboral, (no que foi secundado pelo Comissário Europeu para a Economia), para, agora, o Ministro das Finanças, em entrevista ao Financial Times, vir admiti-la. Como não posso deixar de lamentar que os 25 anos de adesão de Portugal à CEE registem, como referiu Vítor Constâncio, que vamos continuar a divergir da Europa até 2012. Uma última referência ao Campeonato do Mundo de Futebol e ao orgulho de todos nós pela forte presença da Madeira, com Cristiano Ronaldo e Danny. Que ao menos a Selecção nos deixe melhor representados do que nos têm deixado o Governo e o Primeiro Ministro!

Guilherme Silva