José Manuel Rodrigues Soube da tua partida de forma fria e cruel. É no que dá estar distante e querer saber notícias, logo pela manhã, na edição digital do Diário. À memória chegam-me as tuas incontáveis facetas de comunicadora. Foste professora, escritora, poetisa, jornalista, apresentadora, um sem fim de coisas que fizeste bem ao longo da vida. Mas é, sobretudo, a comunicadora de excelência da rádio, da televisão ou da mera conversa de café que registo neste momento. Recordo o quanto tu gostavas de estar e falar com os outros. E o quanto aprendi e sorri contigo nas tertúlias, nos serões, nas peregrinações pela zona velha que acabam, muitas vezes, na tua casa da Travessa do Descanso. Exercitavas, como poucos, o dom da Amizade. Por mais diferenças, divergências e discussões que tivéssemos, chegávamos sempre à conclusão que, afinal, queríamos chegar ao mesmo sítio. Os caminhos é que eram diferentes. Nesses dias em que o romantismo e os ideais, ainda, norteavam o jornalismo e a politica, nós queríamos mudar o Mundo. Tu - posso testemunhá-lo - fizeste muito para que ele fosse, ao menos, um pouco melhor. Neste momento, em que nos despedimos, só me lembro de uma frase do Tolentino Mendonça: "Nenhuma morte é tão longa quanto a Vida". Teria tantas coisas para recordar, para te agradecer, para te dizer. Guardo-as para quando nos encontrarmos algures por ai. Adeus Maria. Do José.