Mª Ermelinda F. G. Rodrigues Presentemente, vive-se num mundo em que as pessoas não olham aos meios para atingirem os fins. As leis que sempre defendiam os direitos dos cidadãos, os valores que mais dignificavam o ser humano vão rareando... Antigamente, o respeito pelos outros assentava no respeito por cada um de nós. Hoje, as pessoas tornam-se individualistas, egocêntricas, calculistas! A verdade é disfarçada pela aparência! Através deste diário, tomei conhecimento do caso das duas caravanas que - quando foi a realização da Festa da Cebola, no Caniço - tinham sido colocadas em frente (junto) a uma residência. Ambas ladeavam o portão principal da moradia da proprietária, que expôs no Diário de Notícias o seu desagrado. Não venho manifestar a minha opinião sobre esta ocorrência. Contudo, faço questão de clarificar "um equívoco" sobre o aviário e narrar uma situação insólita, da qual sou testemunha ocular. Quando me deslocava sobre o passeio, atrás das referidas caravanas, ali, improvisava-se a arrecadação das mesmas. Além de que causavam estorvo, a repercussão era bem mais negativa! Do lado oposto, vários automóveis ligeiros encontravam-se estacionados. Até aqui, "tudo aparentava estar bem ". De repente, eis que surge um autocarro. O espaço para que passasse era exíguo! Desencadeia-se a parte mais caricata... O motorista reclama. Uma das proprietárias «desforra-se». Perante tudo isto, a melhor opção foi esta ter de dirigir-se a um altifalante, apelando para que o condutor do veículo, que mais impedia a passagem do autocarro, viesse ao local retirá-lo. Episódios deste género, mais concretamente, aos fins-de-semana, repetem-se naquela artéria, geram o caos! Na curva, no início da Rua João Paulo II, a passagem fica obstruída. Ali, os autocarros não conseguem passar. É obvio que surge o engarrafamento. Por vezes, há que esperar longo tempo, até que os proprietários se dignem afastar os carros. Para que se reflicta perante tamanho abuso, que fazer se surgir uma ambulância, num caso de grande urgência? E para o turismo? Será agradável para os nossos visitantes terem que suportar longo tempo de espera, até que o autocarro prossiga viagem?! Será isto civismo? Ou será que é apenas questão de se optar pelo que nos der melhor jeito? Onde está a lógica para tamanho desplante? Sobre o aviário, aquele que foi referido, encontra-se num sítio conhecido pelo «Vale». Esse empreendimento existe há mais de três décadas. Nessa época, e durante longos anos, ali, não havia moradias, era um lugar deserto. Raros eram os automóveis que por lá passavam. Recentemente, apareceram novas construções. É admissível a indignação dos moradores que vivem nos apartamentos construídos naquela zona! Pena foi os compradores não terem pedido informação mais detalhada aos proprietários do aviário! Certamente, seriam as pessoas mais indicadas para lhes darem o esclarecimento, a informação mais transparente. Concluindo, compreende-se a situação de quem é feirante. Tem o legítimo direito de lutar pela vida. Mas… será que tudo está correcto? Na minha modesta opinião, tudo isto é lamentável! Tentar mudar o mundo é utópico! Porém, todos temos a obrigação, o dever de lutar para a construção de um mundo melhor - o que se torna impossível, quando "A VERDADE É CAMUFLADA".