A estranha Lei de Meios cozinhada entre os dois governos é um caso sério de repentina amizade política misturada com solidariedade, também ela fruto de muito interesse político.Depois de umas secretas negociações, depois de uma primeira versão, a nova Lei de Meios vem ainda dar mais força a quem já a tinha em demasia. Aplica-se esta teoria aos facilitismos que serão permitidos em nome da reconstrução, agora livre de obstáculos com expropriações ou com providências cautelares. O que o governo de Lisboa diz é muito simples: quem quiser reclamar que reclame, mas a obra avança à mesma. O regime de excepção decretado por Sócrates preenche na íntegra os mais belos sonhos de Jardim, cansado de impedimentos legais, alguns justos outros nem tanto, mas legais. Agora, com esta Lei de Meios, é meia-bola e força. Os protestos, se os houver, ficam para depois. É um 'Totoloto'!A ideia de uma rápida reconstrução e de uma eficaz prova de solidariedade não é beliscada por estes facilitismos. O receio é que o hábito perdure, que se generalize, que se abuse da boa vontade do legislador. É preciso garantir os fins a que esta Lei se propõe, mas olhando aos meios.Duas linhas