Edgar Silva Recentemente a entrada livre no hospital Nélio Mendonça levantou vozes concordantes e muitas discordantes, a maioria expressou-se contraria, a esta medida em opiniões, em especial nas redes sociais, pessoalmente sou dos que discordam, considerando a estrutura actual do CHF, concordo se forem garantidos determinados princípios fundamentais e básicos, à luz da plena e total segurança do ambiente hospitalar sem violação dos mais elementares e básicos direitos individuais do visitado.Devem obedecer a dois princípios fundamentais, 'Segurança do Ambiente ' e 'Vontades Expressas do Visitado', aliás o principal interessado em ser ou não visitado.Consideramos ainda, quatro princípios básicos, que apoiam a politica de segurança, o Princípio da Integridade, o da Confidencialidade, o da Disponibilidade e por fim o da Legalidade.Ora a liberalização da entrada de visitantes, produz na mente do consciente colectivo um falso conceito de 'anarquia', dá-lhes a percepção errada de 'livre-trânsito e livre acesso Total'. Ora situações de violação dos princípios básicos, assim como dos princípios fundamentais são potenciadas, e o risco torna-se acrescido, tanto o clínico como o não clínico. Nestas situações de erro podem ocorrer o levantamento de processos cíveis, e eventuais pedidos de indemnizações que qualquer CA que assim proceda, deve estar ciente ter que assumir. Aliás existem trabalhos de investigação publicados que provam que o erro e o risco é incrementado por situações despoletadas por visitantes aquando da abordagem de médicos ou enfermeiros, sem critérios, em que estes estão resolvendo situações de emergência ou simplesmente administrando medicação. Esta autorização pode até ser, ilegal á luz dos direitos Constitucionais e viola claramente o Direito de Cidadania Plena, se o visitante não foi ouvido nem achado em todo este processo de decisão, levado a cabo pela entidade organizacional, ou empresa. No conceito de empresa o cliente é o centro da sua actividade, o elo mais importante a satisfazer na aquisição ou venda de um produto; ora num hospital não se pode decidir das visitas unilateralmente, só pelo ponto de vista de quem visita, e ainda por cima, nem é 'o cliente'.Independentemente de situações de riscos não clínicos que todos conhecemos, 'muita gente num serviço' em visita, quase que obrigam em situações de emergência, nos fazer, perder tempo precioso a 'estabelecer um cordão de segurança' e afastar potenciais curiosos que só atrapalham, como se os corredores de um hospital fossem uma qualquer 'Avenida do Mar'.A verdade é que na actual estrutura do CHF, com todas as limitações estruturais, com violação fácil das suas áreas de obrigatório acesso restrito, sendo uma delas as enfermarias, e considerando a crucial vontade expressa do cliente, a liberalização da entrada é um atentado, uma violação ao direito da privacidade, da confidencialidade, da integridade, da disponibilidade e por fim da legalidade da pessoa, utente, cliente internado, numa difícil fase da sua vida que é gerir uma situação de crise, de doença. É por estas e por muitas outras razões, que 'Discordo Plenamente' desta medida agora implementada no Hospital Nélio Mendonça, era assim que respondia se um questionário me fosse oferecido para opinar sobre esta questão.Mas actualmente sempre podem os clientes começar e por escrito a reclamar, a exigir um tratamento e um regulamento de visitas que fundamentalmente lhes respeita a dignidade como pessoas doentes que estão, fragilizadas pela gestão de uma crise de morbilidade que exige um tratamento e uma postura diferenciada e especial. A única pessoa que em primeiro lugar deve autorizar que a visita se concretize é o doente ou o seu representante legal, não é um qualquer CA ou Direcção Clínica, que pode decidir por ele, e deve obrigatoriamente oferecer as condições para que a vontade do visitado seja respeitada, como soberana. A entrada livre e sem registos, não promove nem respeita a vontade individual do cliente objecto da visita, que muitas vezes não quer.