Gostaria também de acreditar (...) que o atraso em ser aprovada a tal Lei de Meios é meramente processual e que muito tempo faltará ainda para que estale o verniz. A coberto das crises - externas, internas e mistas - que se multiplicam, antecipam-se as nicas a que se sucederão as tricas. No meio da crise económica e financeira importada que veio acrescentar-se à crise há longo tempo instalada no País que, em diversas ocasiões tenho abordado, sem subterfúgios identificando a sua origem com a ineptocracia socialista que com um pequeno intervalo de pouco mais de dois anos, governa ou, mais exactamente, controla o nosso Portugal desde 1995. Nunca é demais recordar, em particular para uns quantos que parece terem memória curta, o flagelo do desemprego que está instalado e vai continuar a agravar-se, tal como a derrapagem da despesa pública e do défice, tudo concorrendo para aumentar o nosso distanciamento do nível de desenvolvimento e crescimento dos parceiros europeus. O País está doente e o governo, incapaz que foi de prevenir, dir-se-ia continuar a fazer de conta que tudo está uma maravilha, o que me leva a recordar um artigo que escrevi (Diário de 30.11.2005) sob o título 'Alice através do espelho e no País das Maravilhas'. Então o Primeiro-ministro, ao anunciar um novo plano para suceder ao famigerado choque tecnológico, evocava esse êxito literário do século XIX de Lewis Carroll, o criador de Alice, que bem recentemente foi adaptado e recreado, constituindo um novo êxito cinematográfico. Subsistem, no entanto, dúvidas quanto à figura em que de bom grado, mais bem se encaixaria o Primeiro-ministro. Seria a da Rainha Vermelha, sempre em correria desenfreada, ou a da Rainha de Copas, 'imagem temperamental, arrogante, quiçá utópica mesmo, capaz de cortar cabeças, ao primeiro sinal de desconformidade, na execução dos seus mandos e desmandos', ou um misto de ambas, como aparece no último filme?Retornando à realidade dos factos que, a todos, sobremaneira interessa bastante mais do que a fantasia e, mais exactamente, no que respeita à nossa Região, igualmente afectada pelas crises e pelas consequências da governação da República, continua bem presente na memória, a questão da Lei das Finanças Regionais, suspensa que foi, a pretexto da Lei de Meios, subsequente ao desastre que sobreveio ao temporal de 20 de Fevereiro, lei essa que também tarda em ser aprovada. Ao evocar esta data, há que lembrar os tempos de angústia que os Madeirenses viveram e a que, com determinação e trabalho souberam responder, na difícil tarefa da recuperação. Em simultâneo, de todo o lado, do Continente, dos Açores e de todo o mundo, foi chegando a solidariedade, a que não faltou a do governo da República e, obviamente, do próprio Primeiro-ministro, célere e oxalá genuina, a que correspondeu, magistralmente e de imediato, o Presidente do Governo Regional que, ao conseguir fazer a simbiose da astúcia com a candura, melhor que ninguém, fez tudo quase parecer que nada aconteceu anteriormente entre ambos, que tudo está bem e que afinal este nosso País é mesmo o tal 'país das maravilhas'. Sem pretender ser um vidente, por considerar que tenho os pés bem assentes na terra e não me imaginando tampouco como um visionário, gostaria também de acreditar, pela Madeira e por Portugal, que o atraso em ser aprovada a tal Lei de Meios é meramente processual e que muito tempo faltará ainda para que estale o verniz, a situação se deteriore, a realidade venha ao de cima e para que ressurjam as nicas e se desenvolvam novas tricas.Francisco Leite Monteiro
Gostaria também de acreditar (...) que o atraso em ser aprovada a tal Lei de Meios é meramente processual e que muito tempo faltará ainda para que estale o verniz.
A coberto das crises - externas, internas e mistas - que se multiplicam, antecipam-se as nicas a que se sucederão as tricas. No meio da crise económica e financeira importada que veio acrescentar-se à crise há longo tempo instalada no País que, em diversas ocasiões tenho abordado, sem subterfúgios identificando a sua origem com a ineptocracia socialista que com um pequeno intervalo de pouco mais de dois anos, governa ou, mais exactamente, controla o nosso Portugal desde 1995. Nunca é demais recordar, em particular para uns quantos que parece terem memória curta, o flagelo do desemprego que está instalado e vai continuar a agravar-se, tal como a derrapagem da despesa pública e do défice, tudo concorrendo para aumentar o nosso distanciamento do nível de desenvolvimento e crescimento dos parceiros europeus. O País está doente e o governo, incapaz que foi de prevenir, dir-se-ia continuar a fazer de conta que tudo está uma maravilha, o que me leva a recordar um artigo que escrevi (Diário de 30.11.2005) sob o título 'Alice através do espelho e no País das Maravilhas'. Então o Primeiro-ministro, ao anunciar um novo plano para suceder ao famigerado choque tecnológico, evocava esse êxito literário do século XIX de Lewis Carroll, o criador de Alice, que bem recentemente foi adaptado e recreado, constituindo um novo êxito cinematográfico. Subsistem, no entanto, dúvidas quanto à figura em que de bom grado, mais bem se encaixaria o Primeiro-ministro. Seria a da Rainha Vermelha, sempre em correria desenfreada, ou a da Rainha de Copas, 'imagem temperamental, arrogante, quiçá utópica mesmo, capaz de cortar cabeças, ao primeiro sinal de desconformidade, na execução dos seus mandos e desmandos', ou um misto de ambas, como aparece no último filme?Retornando à realidade dos factos que, a todos, sobremaneira interessa bastante mais do que a fantasia e, mais exactamente, no que respeita à nossa Região, igualmente afectada pelas crises e pelas consequências da governação da República, continua bem presente na memória, a questão da Lei das Finanças Regionais, suspensa que foi, a pretexto da Lei de Meios, subsequente ao desastre que sobreveio ao temporal de 20 de Fevereiro, lei essa que também tarda em ser aprovada. Ao evocar esta data, há que lembrar os tempos de angústia que os Madeirenses viveram e a que, com determinação e trabalho souberam responder, na difícil tarefa da recuperação. Em simultâneo, de todo o lado, do Continente, dos Açores e de todo o mundo, foi chegando a solidariedade, a que não faltou a do governo da República e, obviamente, do próprio Primeiro-ministro, célere e oxalá genuina, a que correspondeu, magistralmente e de imediato, o Presidente do Governo Regional que, ao conseguir fazer a simbiose da astúcia com a candura, melhor que ninguém, fez tudo quase parecer que nada aconteceu anteriormente entre ambos, que tudo está bem e que afinal este nosso País é mesmo o tal 'país das maravilhas'. Sem pretender ser um vidente, por considerar que tenho os pés bem assentes na terra e não me imaginando tampouco como um visionário, gostaria também de acreditar, pela Madeira e por Portugal, que o atraso em ser aprovada a tal Lei de Meios é meramente processual e que muito tempo faltará ainda para que estale o verniz, a situação se deteriore, a realidade venha ao de cima e para que ressurjam as nicas e se desenvolvam novas tricas.Francisco Leite Monteiro