A Madeira só tem a ganhar apostando numa cultura de cooperação e tolerância. Uma vez mais foi evocada, recentemente, a data fundadora do nosso regime democrático que permitiu aos portugueses alcançar a liberdade há tanto tempo desejada. Derrubar a Ditadura exigiu determinação. Por isso, quem teve a oportunidade de viver a madrugada do 25 de Abril de 1974, jamais a poderá esquecer. Não obstante alguns excessos à época, pôs-se fim a uma longa luta de permanente repressão, marcada pelo o isolamento e condenação internacional. Passadas várias décadas, tudo parece remoto. Mas quem experimentou os dois regimes poderá dar o verdadeiro valor da democracia e sarar as feridas dos que conheceram a prisão e a tortura, dos que foram forçados ao exílio e que sofreram perseguições. Hoje, estamos num país que se construiu com a Liberdade. A crise internacional em que vivemos, tem suscitado amplos debates e análises, sinal de que vivemos numa sociedade viva, democrática, plural e participativa. Por isso, é com estranheza e tristeza que vejo a Madeira alhear-se desta data, e não reconheça os benefícios que daí lhe advieram. Não seríamos, decerto, uma Região com capacidade deliberativa, dona dos seus destinos e com uma autonomia aprofundada. Mas é a própria ALM que não celebra a revolução que a tornou possível. Estamos num regime parlamentar, mas de que serve? Aquela a que alguém já chamou 'casa de loucos' está subordinada ao querer do Governo Regional. Não fiscaliza os seus actos, nem tão pouco os consegue fazer deslocar até ao Parlamento para prestação de contas. É mesmo um faz de conta! A sua permanente indisponibilidade, a falta de espaço na agenda e a rejeição dos debates de urgência têm sido a imagem de marca. Sem dúvida que Abril trouxe alguma transformação, mas há imensas falhas de atitudes e comportamentos. Faltou a verdadeira revolução cultural que altere mentalidades. Apesar de vivermos numa democracia, os mais de 30 anos de maioria absoluta foi instalando 'tiques' ditatoriais. O encobrimento das suas falhas tem-se revelado num permanente ataque aos partidos da oposição, particularmente ao PS e à comunicação social. A imagem transmitida pelo primeiro órgão de soberania em nada entusiasma os cidadãos, na aproximação à política e aos políticos. A desacreditação e o medo afastam as pessoas de uma maior participação cívica. Está instalada uma certa acomodação que só será ultrapassada com uma verdadeira educação, decisiva numa sociedade baseada na informação e no conhecimento. Quem não conseguir participar activamente na sociedade, não existe. E aqui as escolas e a universidade têm um papel determinante no desenvolvimento do espírito crítico e na leitura correcta da conjuntura. A falta de cumprimento da Constituição e do Estatuto revelam-se em inúmeras situações, como, por exemplo, a composição da mesa da Assembleia, novela que dura há anos. O PSD sempre teve, se estivesse interessado, todos os meios ao seu alcance para resolver desde a primeira hora esta situação. Não precisa de mais ninguém. Primeiro, o pecado recaía na pessoa escolhida. E agora? É inadmissível que, com a sua postura de ratear os votos, esteja a condicionar o sentido da votação dos outros partidos. Prefere estar ilegal do que cumprir a Lei. A catástrofe de 20 de Fevereiro promoveu, na atitude do Governo Regional para com o Continente e os 'cubanos' uma autêntica cambalhota. A onda de solidariedade deu oportunidade ao presidente para prolongar o seu mandato com inúmeras futuras inaugurações e a entrada de alguns milhões. A falta de organização na recepção e aplicação dessas verbas, levam-nos a crer que neste momento, ninguém consegue contabilizá-las e interrogamo-nos se efectivamente elas estão a chegar aos mais necessitados. A Madeira só tem a ganhar apostando numa cultura de cooperação e tolerância. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades!.Isabel Sena Lino
A Madeira só tem a ganhar apostando numa cultura de cooperação e tolerância.
Uma vez mais foi evocada, recentemente, a data fundadora do nosso regime democrático que permitiu aos portugueses alcançar a liberdade há tanto tempo desejada. Derrubar a Ditadura exigiu determinação. Por isso, quem teve a oportunidade de viver a madrugada do 25 de Abril de 1974, jamais a poderá esquecer. Não obstante alguns excessos à época, pôs-se fim a uma longa luta de permanente repressão, marcada pelo o isolamento e condenação internacional. Passadas várias décadas, tudo parece remoto. Mas quem experimentou os dois regimes poderá dar o verdadeiro valor da democracia e sarar as feridas dos que conheceram a prisão e a tortura, dos que foram forçados ao exílio e que sofreram perseguições. Hoje, estamos num país que se construiu com a Liberdade. A crise internacional em que vivemos, tem suscitado amplos debates e análises, sinal de que vivemos numa sociedade viva, democrática, plural e participativa. Por isso, é com estranheza e tristeza que vejo a Madeira alhear-se desta data, e não reconheça os benefícios que daí lhe advieram. Não seríamos, decerto, uma Região com capacidade deliberativa, dona dos seus destinos e com uma autonomia aprofundada. Mas é a própria ALM que não celebra a revolução que a tornou possível. Estamos num regime parlamentar, mas de que serve? Aquela a que alguém já chamou 'casa de loucos' está subordinada ao querer do Governo Regional. Não fiscaliza os seus actos, nem tão pouco os consegue fazer deslocar até ao Parlamento para prestação de contas. É mesmo um faz de conta! A sua permanente indisponibilidade, a falta de espaço na agenda e a rejeição dos debates de urgência têm sido a imagem de marca. Sem dúvida que Abril trouxe alguma transformação, mas há imensas falhas de atitudes e comportamentos. Faltou a verdadeira revolução cultural que altere mentalidades. Apesar de vivermos numa democracia, os mais de 30 anos de maioria absoluta foi instalando 'tiques' ditatoriais. O encobrimento das suas falhas tem-se revelado num permanente ataque aos partidos da oposição, particularmente ao PS e à comunicação social. A imagem transmitida pelo primeiro órgão de soberania em nada entusiasma os cidadãos, na aproximação à política e aos políticos. A desacreditação e o medo afastam as pessoas de uma maior participação cívica. Está instalada uma certa acomodação que só será ultrapassada com uma verdadeira educação, decisiva numa sociedade baseada na informação e no conhecimento. Quem não conseguir participar activamente na sociedade, não existe. E aqui as escolas e a universidade têm um papel determinante no desenvolvimento do espírito crítico e na leitura correcta da conjuntura. A falta de cumprimento da Constituição e do Estatuto revelam-se em inúmeras situações, como, por exemplo, a composição da mesa da Assembleia, novela que dura há anos. O PSD sempre teve, se estivesse interessado, todos os meios ao seu alcance para resolver desde a primeira hora esta situação. Não precisa de mais ninguém. Primeiro, o pecado recaía na pessoa escolhida. E agora? É inadmissível que, com a sua postura de ratear os votos, esteja a condicionar o sentido da votação dos outros partidos. Prefere estar ilegal do que cumprir a Lei. A catástrofe de 20 de Fevereiro promoveu, na atitude do Governo Regional para com o Continente e os 'cubanos' uma autêntica cambalhota. A onda de solidariedade deu oportunidade ao presidente para prolongar o seu mandato com inúmeras futuras inaugurações e a entrada de alguns milhões. A falta de organização na recepção e aplicação dessas verbas, levam-nos a crer que neste momento, ninguém consegue contabilizá-las e interrogamo-nos se efectivamente elas estão a chegar aos mais necessitados. A Madeira só tem a ganhar apostando numa cultura de cooperação e tolerância. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades!.Isabel Sena Lino