Por decisão sensata de uma das partes envolvidas no mais mesquinho dos últimos imbróglios da bola, os contribuintes madeirenses ficaram ontem dispensados de custear a cedência do Estádio da Madeira ao Marítimo. Fica anulada, assim, uma anormalidade que o GR antes garantira estar devidamente "orçamentada", num comunicado onde alude também a "paixões irracionais."

Agora é provável que todos se sentirão 'vencedores' no final deste triste folhetim: o Nacional, por ter tido a iniciativa de repor a normalidade; o Marítimo por concluir que valeu a pena bater o pé; e o Governo porque sempre confiou que a "dignidade" prevaleceria.

Mas essa 'caça aos louros' pouco interessa. O que nos apraz registar é que, desta vez, não haverá prejuízo para o erário. E que uma vez mais valeu a pena, nas nossas páginas, que nos tivessem confiado o exclusivo pouco simpático de chamar os nomes às coisas. Mesmo que isso nos feche algumas portas.

Também pouco simpático foi o papel que uma médica dentista entendeu fazer, ontem, perante um membro do governo, porque consciente que a razão lhe assiste. Às vezes é preciso coragem para repor a verdade, mesmo que isso tenha custos. Como acabou por ter, horas mais tarde, num bonito exemplo da 'tolerância democrática'.

Agostinho Silva, Subdirector