José Manuel Rodrigues Morreu o senhor Alexandre Rodrigues. Era um símbolo e uma personalidade fascinante do Marítimo mas, também, da Zona Velha da cidade. Foi o último a partir de uma geração que marcou de forma indelével outras gerações.O número 147 da Rua da Santa Maria era uma escola de vida. Por ali passei como estudante, jornalista e politico aprendendo com o senhor Alexandre e com o seu irmão Adelino Rodrigues, duas personalidades quase opostas, mas que se completavam de forma grandiosa. O senhor Adelino, religioso, franzino, tímido, intelectual e com raro sentido de humor. O senhor Alexandre, mundano, robusto, exuberante, comerciante e de graça espontânea. Com eles ganhei valores e princípios. Com eles aprendi os truques e as manhas para enfrentar a vida. Como eu, muitos sentirão a nostalgia desses tempos em que se ouvia o senhor Alexandre contar as mais mirabolantes, divertidas mas não publicáveis estórias do Almirante Reis, de Santa Maria e do seu e nosso Marítimo. Registo na memória um desses episódios. Um dia, treinava o senhor Alexandre uma das equipas do clube, chegou-lhe a informação que um indivíduo do Ultramar que acabara de ser condenado, no Funchal, a alguns anos de cadeia, dava uns pontapés na bola e poderia ser um bom reforço. O senhor Alexandre foi falar com o Juiz e lá o convenceu a dar uma saída precária para que o homem demonstrasse as suas qualidades no campo do Liceu. A verdade é que a coisa não correu bem. No final do treino o senhor Alexandre perguntou ao homem quantos anos tinha apanhado. - Dois anos por furto. - Respondeu o 'reforço'. Logo ali ouviu outra sentença: - Voltas aos Viveiros e vais cumprir quatro anos de prisão porque de bola não percebes nada! Era assim o senhor Alexandre: Duro e humano, sério e sarcástico, cavalheiro e homem do cabo do calhau.Obrigado senhor Alexandre pelas suas lições de vida. Dê um abraço ao Adelino e ao Raul.