Há três pontos onde devemos fazer mais: a baía do Funchal, a Zona Velha e a Est. Monumental. Não tenho espaço para escrever sobre todos os aspectos da actualidade como seria minha disposição: a reconstrução da Madeira; a crise financeira e económica nacional; o presente e o futuro da Europa e da globalização; as lições das eleições no Reino Unido e as desconsiderações do Prof. Marcelo. No próximo mês escreverei sobre a Zona Franca e o futuro da economia da Madeira.Opto por comentar o tema regional. Porque é decisivo para o nosso futuro.Mas não posso deixar de salientar que, relativamente aos outros aspectos, não pode ser contornado o facto de todos, em Portugal, na Europa e no Mundo, termos andado a brincar com dinheiro, de forma irresponsável e com a cumplicidade dos governos e bancos.Por outro lado, ainda ninguém se lembrou de denunciar os 'louquinhos' que aceitaram a entrada dos gregos no euro. Se formos a ver estão lá os nomes da Alemanha e da França, os mesmos que aprovaram Portugal.Por sua vez, as eleições no Reino Unido destruíram o mais antigo dos sistemas eleitorais, incapaz de garantir uma maioria em Westminster. Veremos as suas repercussões nas jovens democracias europeias, havendo já uma certeza: os britânicos não aceitam um sistema que não garanta maiorias. Nós por cá multiplicamos o número de partidos.Também gostava de saber se os pareceres do Prof. Marcelo Rebelo de Sousa em matéria de Autonomia incluíram esse conceito aberrante da 'grande autarquia'. Senão registe-se a incoerência paga a peso de ouro.Mas, é a reconstrução, entendida como nova construção, e não o refazer como era antes, que motiva a minha atenção.Porque uma adversidade gera uma oportunidade se a conseguirmos descobrir.É conhecida a minha admiração - também fui parte activa - pela obra destes mais de trinta anos de Autonomia.Mas não deixo de considerar que há três pontos onde podíamos, e ainda devemos, fazer mais: a baía do Funchal, a Zona Velha e a Estrada Monumental.Todas estas três frentes são fundamentais para a Madeira, em especial para o Funchal, pelo que as diversas intervenções públicas e privadas devem estar alinhadas por um plano de longo prazo.Actualmente tenta-se 'encaixar' os diferentes projectos que cada um vai inventando, não se sabendo qual a próxima 'ideia' a avançar.E se dar qualidade à vida na Zona Velha, bem como fixar o que será a Estrada Monumental do futuro é objectivo a dar prioridade, certamente que, poder definir uma nova ideia para a frente-mar da baía do Funchal, torna-se oportunidade única a não perder.Vigo, Bilbao, Valência, Barcelona e Atenas, são exemplos de arrojo bem sucedido, pela coragem de recente intervenção arquitectónica. São referências elogiadas.Aldo Rossi, Frank Gerry, Santiago Calatrava e Norman Foster, foram alguns dos autores dessas novas perspectivas.Sem vergonha nem complexos façamos uma 'marca' que projecte a nova Madeira. Deixemo-nos de 'palpites' teóricos e sejamos ambiciosos como no resto até aqui.Quem não identifica Sidney pela sua Ópera? E tem outra marca?Até Cavaco Silva juntou um italiano na concepção do Centro Cultural de Belém.E não esqueçamos a marca que há 40 anos Oscar Niemeyer deu ao Funchal e não esqueçamos as 'torres' falhadas de Bofill.Horácio RoqueO continental mais madeirense deixou-nos, transmitindo-nos um notável registo de relações humanas e empreendimentos que não apagarão a sua memória.Um Homem. Que nos fará falta.Ainda que sejamos todos substituíveis, há quem seja de muito difícil substituição.Ultrapassar a sua ausência é missão difícil que caberá a muitos dos seus próximos e que, como ninguém mais, terão de duplicar as suas tarefas e responsabilidades para que a OBRA continue.Obrigado Comendador.Sem a sua vida ligada à Madeira, muito estaria ainda por fazer.Miguel de Sousa

Há três pontos onde devemos fazer mais: a baía do Funchal, a Zona Velha e a Est. Monumental.

Não tenho espaço para escrever sobre todos os aspectos da actualidade como seria minha disposição: a reconstrução da Madeira; a crise financeira e económica nacional; o presente e o futuro da Europa e da globalização; as lições das eleições no Reino Unido e as desconsiderações do Prof. Marcelo. No próximo mês escreverei sobre a Zona Franca e o futuro da economia da Madeira.Opto por comentar o tema regional. Porque é decisivo para o nosso futuro.Mas não posso deixar de salientar que, relativamente aos outros aspectos, não pode ser contornado o facto de todos, em Portugal, na Europa e no Mundo, termos andado a brincar com dinheiro, de forma irresponsável e com a cumplicidade dos governos e bancos.Por outro lado, ainda ninguém se lembrou de denunciar os 'louquinhos' que aceitaram a entrada dos gregos no euro. Se formos a ver estão lá os nomes da Alemanha e da França, os mesmos que aprovaram Portugal.Por sua vez, as eleições no Reino Unido destruíram o mais antigo dos sistemas eleitorais, incapaz de garantir uma maioria em Westminster. Veremos as suas repercussões nas jovens democracias europeias, havendo já uma certeza: os britânicos não aceitam um sistema que não garanta maiorias. Nós por cá multiplicamos o número de partidos.Também gostava de saber se os pareceres do Prof. Marcelo Rebelo de Sousa em matéria de Autonomia incluíram esse conceito aberrante da 'grande autarquia'. Senão registe-se a incoerência paga a peso de ouro.Mas, é a reconstrução, entendida como nova construção, e não o refazer como era antes, que motiva a minha atenção.Porque uma adversidade gera uma oportunidade se a conseguirmos descobrir.É conhecida a minha admiração - também fui parte activa - pela obra destes mais de trinta anos de Autonomia.Mas não deixo de considerar que há três pontos onde podíamos, e ainda devemos, fazer mais: a baía do Funchal, a Zona Velha e a Estrada Monumental.Todas estas três frentes são fundamentais para a Madeira, em especial para o Funchal, pelo que as diversas intervenções públicas e privadas devem estar alinhadas por um plano de longo prazo.Actualmente tenta-se 'encaixar' os diferentes projectos que cada um vai inventando, não se sabendo qual a próxima 'ideia' a avançar.E se dar qualidade à vida na Zona Velha, bem como fixar o que será a Estrada Monumental do futuro é objectivo a dar prioridade, certamente que, poder definir uma nova ideia para a frente-mar da baía do Funchal, torna-se oportunidade única a não perder.Vigo, Bilbao, Valência, Barcelona e Atenas, são exemplos de arrojo bem sucedido, pela coragem de recente intervenção arquitectónica. São referências elogiadas.Aldo Rossi, Frank Gerry, Santiago Calatrava e Norman Foster, foram alguns dos autores dessas novas perspectivas.Sem vergonha nem complexos façamos uma 'marca' que projecte a nova Madeira. Deixemo-nos de 'palpites' teóricos e sejamos ambiciosos como no resto até aqui.Quem não identifica Sidney pela sua Ópera? E tem outra marca?Até Cavaco Silva juntou um italiano na concepção do Centro Cultural de Belém.E não esqueçamos a marca que há 40 anos Oscar Niemeyer deu ao Funchal e não esqueçamos as 'torres' falhadas de Bofill.Horácio RoqueO continental mais madeirense deixou-nos, transmitindo-nos um notável registo de relações humanas e empreendimentos que não apagarão a sua memória.Um Homem. Que nos fará falta.Ainda que sejamos todos substituíveis, há quem seja de muito difícil substituição.Ultrapassar a sua ausência é missão difícil que caberá a muitos dos seus próximos e que, como ninguém mais, terão de duplicar as suas tarefas e responsabilidades para que a OBRA continue.Obrigado Comendador.Sem a sua vida ligada à Madeira, muito estaria ainda por fazer.Miguel de Sousa