António Câmara Há pessoas que pela sua grosseria e má-educação tornam a vida dos outros mais penosa. Vem isto a propósito de uma cena passada a 26 de Maio na Farmácia do Hospital Dr. Nélio Mendonça. Uma familiar minha, que acompanhara a minha mãe a uma consulta de Oncologia, resolveu, antes de se ir embora, aviar as receitas emitidas pelo médico na Farmácia do Hospital. Sucede que ontem à tarde, por volta das 14h30m, encontrava-se um senhor de bata branca a aviar as ditas receitas (doravante, Senhor Farmacêutico, embora não se saiba se seria licenciado ou técnico). Ora, a receita foi normalmente aviada e, após entrega dos medicamentos, essa minha familiar encaminhou-se para a saída. Contudo, dado que está habituada a ministrar os medicamentos à mãe, estranhou, no saco, um medicamento que não era habitual. Pensando que haveria engano, voltou atrás e, pedindo desculpa ao Senhor Farmacêutico, perguntou se não haveria lapso. Acto contínuo, o Senhor Farmacêutico questionou-a sobre a sua formação, dado que duvidava dos medicamentos que este lhe dera. Essa minha familiar, surpreendida com a rispidez do Senhor Farmacêutico, disse-lhe que era enfermeira reformada e que estava por demais habituada aos medicamentos que dava à mãe. Azedo, retorquiu o Senhor Farmacêutico que as enfermeiras também se enganam e que por vezes dão doses erradas de morfina…. E aproveitou para lhe dar um castigo exemplar: deixou a minha familiar a penar para o fim, atendendo os outros primeiros, para então simplesmente corrigir o seu erro e mudar o medicamento em causa. Claro que afrontada com má educação do Senhor Farmacêutico a minha familiar não se coibiu de lhe dizer que deveria ter cuidado com os medicamentos que avia porque alguém menos desperto poderia levar e tomar aquele medicamento, eventualmente com efeitos irreparáveis. Claro que o Senhor Farmacêutico, grosseiramente, teve o dislate de dizer que se ela quisesse que participasse dele!!! Bem, não há palavras para descrever o estado nervoso com que essa minha familiar chegou ao carro onde a aguardava. Ponderei não fazer este reparo no Diário, porque, afinal, lapsos, todos podemos cometer. Contudo, este episódio não retrata somente um Senhor que se enganou. Retrata um Senhor que se enganou, que não tolera admitir que se enganou e que para ultrapassar este seu engano diminui verbalmente as pessoas. As enfermeiras enganam-se? Claro que se enganam, como em qualquer outra profissão… Mas isso não serve de autojustificação para o Senhor Farmacêutico se enganar. Nem para insultar as pessoas sempre que se engana. Repare-se que aquilo que as pessoas às vezes pensam serem erros dos médicos, mais não são do que enganos perpetrados por pessoas da índole do Senhor Farmacêutico do Hospital. A Administração do SESARAM tenha em atenção que terá um dia de desembolsar uma qualquer indemnização por causa deste Senhor Farmacêutico, à imagem do sucedido no Hospital de Stª Maria com o engano que provocou a cegueira a uns desafortunados doentes. Enfim, resta alertar: cuidado com o Senhor Farmacêutico do Hospital (mas só aquele que aviava no dia 26.05, às 14h30m….).