Fátima Nascimento Ao contrário do que poderiam muitos idealistas esperar, a visita papal não trouxe nada de novo, no que respeita à posição da igreja sobre certos assuntos sociais. O problema da pedofilia não foi abordado, o casamento entre pessoas do mesmo sexo condenado e o uso de objectos religiosos incentivado. Para mim, não poderia começar pior! Não concordo com nada do que foi dito. Respeito, mas não concordo. Em relação ao caso da pedofilia, a igreja deveria tomar uma posição sincera e aberta. Muita gente espera mais e melhor do chefe da igreja. Todos cometemos erros, mas seria agradável ver o Papa a referir-se a isso. Há que fazer reformas na igreja. Esta está, cada vez mais, distanciada da sociedade onde está inserida. Ora, a igreja parece não ter pessoas habilitadas (eu sei que tem, mas onde estão?) para perceber essas modificações, acabando com discursos que endurecem ainda mais a posição dos fiéis, em relação a um tema que existe desde sempre, a homossexualidade, mas que ela teima em condenar. Não concordo com esta intolerância. No que respeita aos símbolos religiosos, penso que a fé se vive espiritualmente, no coração de cada um e não exteriormente. Sempre que é exterior, isto é, quando se prende a meros símbolos, nunca é de confiar. Aliás, as maiores perseguições, as mais selvagens, tanto públicas como privadas, feitas em pequenas ou grandes comunidades, foram realizadas em nome de Deus. Mas não foram realizadas por pessoas de Deus. Os que têm Deus dentro deles, não praticam essas iniquidades! Falo daqueles que ouvem queixas contra Deus e compreendem a dor que leva a essa posição, não daqueles que aproveitam a situação e fazem dela um pretexto para perseguir pessoas e induzir outras a fazer o mesmo! Não acredito nesta religiosidade doente e cega! Nada disso tem a ver com Deus, tem a ver só com a má vontade dos envolvidos que vêem numa determinada situação uma oportunidade para darem azo aos seus instintos mais vis e que nada têm a ver com Deus ou com religião. A pessoa tem de viver a sua fé dentro de si própria e não têm de a manifestar exteriormente, seja de que forma for. Não sou totalmente contra os símbolos religiosos, entendo que deve haver pessoas que o façam numa clara demonstração de fé a uma religião, seja ela de que natureza for. Afinal, as religiões são mais do que manifestações culturais de uma alegada fé. O que não suporto são aqueles que a usam para maus fins. E, acreditem, há mesmo pessoas assim.