João Humberto Silva A economia global, a crise e a religiãoConfesso que até hoje, ainda não encaixei na cachimónia as peças desse puzzle histriónico que é a economia global em recessão e seus arautos.Usando a imaginação, afigura-se-me como um caldeirão intemporal e bruxuleante, cozinhando em lume brando uma sopa internacional de grandes corporações, bancos, agências de rating, governos, e mexilhões para dar um gostinho de maresia.A procura da 'excelência' , o benchmarking, as cotações das empresas e paises subindo e descendo, as B(b)olsas de todos os sectores, enchendo e esvaziando, 'e o Povo Pá'... num rodopio estonteante á laia de baratas envenenadas por borrifos de spray insecticida, oriundo da fábrica do capitalismo selvagem, qual 'Grande Director', alternando as injecções de veneno com as de antídoto, na mira do lucro, mantendo a vítima, leia-se 'Zé-Povinho' numa existência economicamente angustiante, excepção feita aos privilegiados e visionários, que precocemente na vida descobriram que o caminho da 'excelência' e abastança passava por subir as escadas aos ombros dos idealistas e humanistas, dos que sorriem demais, dos conscienciosos, que desdenham venerar para subir, não passando consequentemente de cepas tortas, aos olhos do Grande Pai Capitalista.Apesar de não conhecer os contornos da medida, honra seja feita ao presidente dos EUA, Barack Obama, por ter conseguido a aprovação da reforma no sistema de saúde americano, permitindo o acesso generalizado aos cuidados de saúde, até esta data nas 'garras' do sector corporativo privado.Isto é que é trabalhar para o prémio Nobel da Paz, pois sem pão e saúde para todos, nunca existirá paz no mundo. Por aqui o lema continua a ser privatizar e betonizar, palavras com um 'je ne sais quoi' de religioso na entoação.E a Igreja, em pleno século XXI, insistindo em dogmas, procissões, romarias, idolatrias e opulência, misturando o religioso com o temporal, desfazendo segredos á medida das necessidades, usando a teologia como espada, na luta contra os infieis, e a Cruz como farol, indicando a salvação do espírito, porque o corpo (não o deles claro) é apenas um mero vaso, onde o espírito floresce, e só necessita de jejum e penitência.O meu discernimento sobre a realidade e virtualidade destes tempos, leia-se 'Big Picture' em americano, está tão debilitado, que á cautela vou aspergir a porta da casa com sangue de cordeiro, pois receio que, da maneira que isto vai, não tarda ai, teremos a décima praga divina á porta.