Hoje poucos duvidam da importância dos ecossistemas na regulação climática. As comemorações do Ano Internacional da Biodiversidade são um bom pretexto para se revisitar alguns conceitos que, no meio da agitação mediática e motivação participativa nem sempre merecem o reconhecimento devido, seja do público em geral seja dos demais actores e decisores com responsabilidades directas na área da gestão, conservação e uso sustentável da diversidade biológica. O conceito actual de serviços ecossistémicos parece também entrar no vocabulário comum mas, decididamente, há muita falta de adequação em alguns discursos que, cumprindo a retórica do paradigma vigente, não passam de usos sem qualquer sentido prático no que respeita às decisões e gestão quotidiana.Vem desde os anos setenta do século passado essa tentativa de mostrar às pessoas que, no conjunto, os ecossistemas oferecem uma série de bens e serviços que asseguram muito do bem estar da espécie humana neste planeta. Hoje poucos duvidam da importância dos ecossistemas na regulação climática, na produção de alimentos, no fornecimento de substâncias e materiais de usos múltiplos, na depuração da poluição e da própria dependência da espécie humana desses bens e serviços. No entanto, quando se procura incorporar esses bens e serviços no processo de tomada de decisão, entramos num processo difuso, complexo e muitas vezes sem qualquer medida plausível de comparação com os habituais instrumentos e indicadores disponíveis para outros sectores sócio-económicos, como o emprego, a taxa de exportações ou a cobertura de apoio social. Daí que seja relevante e de uma utilidade extrema a crescente integração da dimensões económica na análise da produtividade dos ecossistemas e da biodiversidade.O caminho ainda está no início. Só em 2005 o Programa de Ambiente das Nações Unidas consagrou o conceito de serviços ecossistémicos, incluindo-o na sua Avaliação do Milénio. Desde esse marco histórico muito se andou havendo já outros marcos sólidos, resultantes de diferentes projectos como o TEEB - A Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade, havendo países que também já se lançaram nesta avaliação fundamental do valor do seu capital natural. França, Reino Unido, Estados Unidos da América, Alemanha, e tantos outros têm casos concretos e objectivos de estudo e avaliação, em alguns deles, urgente, do seu capital natural. Portugal e em particular as suas regiões autónomas possuem uma biodiversidade imensa, todos sabemos e as autoridades fartam-se de repetir essa evidência até à exaustão. Que tal comemorarmos o Ano Internacional da Biodiversidade concretizando também a avaliação do nosso capital natural? Seria, entre outras, uma boa medida que nos habilitaria a conhecer efectivamente o que temos, quanto isso vale e, consequentemente, como gerir melhor esse recurso. Não tarda muito vai chegar ao tempo em que ou outros o farão por nós ou então estaremos, para não variar, a falar de cor. Neste último caso não há problema nenhum se estivermos a falar sozinhos. Trata-se já não de uma oportunidade mas, antes, uma obrigação e uma acção imperativa sem a qual não temos como adequar a verdadeira estratégia de desenvolvimento da região ou do país.É um processo que vai requerer, dedicação, trabalho, competência e também um posicionamento a sério nos palcos da decisão. O tempo é curto pois, Outubro e a COP10 estão aí e é preciso lá chegar com o trabalho de casa feito e, de preferência, bem feito.António Domingos Abreu

Hoje poucos duvidam da importância dos ecossistemas na regulação climática.

As comemorações do Ano Internacional da Biodiversidade são um bom pretexto para se revisitar alguns conceitos que, no meio da agitação mediática e motivação participativa nem sempre merecem o reconhecimento devido, seja do público em geral seja dos demais actores e decisores com responsabilidades directas na área da gestão, conservação e uso sustentável da diversidade biológica. O conceito actual de serviços ecossistémicos parece também entrar no vocabulário comum mas, decididamente, há muita falta de adequação em alguns discursos que, cumprindo a retórica do paradigma vigente, não passam de usos sem qualquer sentido prático no que respeita às decisões e gestão quotidiana.Vem desde os anos setenta do século passado essa tentativa de mostrar às pessoas que, no conjunto, os ecossistemas oferecem uma série de bens e serviços que asseguram muito do bem estar da espécie humana neste planeta. Hoje poucos duvidam da importância dos ecossistemas na regulação climática, na produção de alimentos, no fornecimento de substâncias e materiais de usos múltiplos, na depuração da poluição e da própria dependência da espécie humana desses bens e serviços. No entanto, quando se procura incorporar esses bens e serviços no processo de tomada de decisão, entramos num processo difuso, complexo e muitas vezes sem qualquer medida plausível de comparação com os habituais instrumentos e indicadores disponíveis para outros sectores sócio-económicos, como o emprego, a taxa de exportações ou a cobertura de apoio social. Daí que seja relevante e de uma utilidade extrema a crescente integração da dimensões económica na análise da produtividade dos ecossistemas e da biodiversidade.O caminho ainda está no início. Só em 2005 o Programa de Ambiente das Nações Unidas consagrou o conceito de serviços ecossistémicos, incluindo-o na sua Avaliação do Milénio. Desde esse marco histórico muito se andou havendo já outros marcos sólidos, resultantes de diferentes projectos como o TEEB - A Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade, havendo países que também já se lançaram nesta avaliação fundamental do valor do seu capital natural. França, Reino Unido, Estados Unidos da América, Alemanha, e tantos outros têm casos concretos e objectivos de estudo e avaliação, em alguns deles, urgente, do seu capital natural. Portugal e em particular as suas regiões autónomas possuem uma biodiversidade imensa, todos sabemos e as autoridades fartam-se de repetir essa evidência até à exaustão. Que tal comemorarmos o Ano Internacional da Biodiversidade concretizando também a avaliação do nosso capital natural? Seria, entre outras, uma boa medida que nos habilitaria a conhecer efectivamente o que temos, quanto isso vale e, consequentemente, como gerir melhor esse recurso. Não tarda muito vai chegar ao tempo em que ou outros o farão por nós ou então estaremos, para não variar, a falar de cor. Neste último caso não há problema nenhum se estivermos a falar sozinhos. Trata-se já não de uma oportunidade mas, antes, uma obrigação e uma acção imperativa sem a qual não temos como adequar a verdadeira estratégia de desenvolvimento da região ou do país.É um processo que vai requerer, dedicação, trabalho, competência e também um posicionamento a sério nos palcos da decisão. O tempo é curto pois, Outubro e a COP10 estão aí e é preciso lá chegar com o trabalho de casa feito e, de preferência, bem feito.António Domingos Abreu