Susana Vieira Inconformismo deve ser a palavra mais apropriada para definir o que me vai na alma. É verdade! Espanto-me e revolto-me com o templo materialista em que se transformou a igreja católica, disfarçado de integridade e amor ao próximo! Basta de hipocrisia! Quem conhece, minimamente, a vida de Jesus Cristo sabe que é sinónimo de pureza, simplicidade, humildade, coragem e verdade… Então, qual a razão para que se continue a idolatrar homens que em nome de Jesus Cristo vivem num mundo de opulência?. Que impressionam pelas vestes que usam e pelos adornos que colocam? Para não falar dos carros em que se fazem transportar, que tantas vezes se confundem com os dos nossos governantes. Rodeados de luxo e alheios aos problemas sociais. Sim, porque a luta contra a pobreza e a exclusão social não se resolve com bonitas palavras e frases bem construídas. Não será um paradoxo acreditar na igualdade e venerar a desigualdade? Lembremo-nos de Jesus Cristo que vivia com o povo e só para ele e, que nos ensinou as mais belas lições sobre a vida. Inconformismo, sim! Por atestar que, apesar de não ser novidade, podemos formar uma nova palavra na nossa língua 'polígreja '(política+igreja)), que resulta da aglutinação de dois vocábulos que se interligam e completam fazendo todo o sentido na nossa Região, ou será que ainda alguém acredita que a discriminação do povo da Ribeira Seca tem carácter religioso? Só quem não conhece aquela igreja!Inconformismo,sim! Por se tentar incendiar e destruir um líder de uma comunidade, que tem um sonho e a todo o custo tenta torná-lo realidade: dar voz a um povo, instruí-lo e erguê-lo. Só o desconhecimento, para não dizer ignorância, ou interesses maiores podem denegri-lo. Falo de algo que conheço e vivencio, pois resido há dois anos na Ribeira Seca e lá encontrei um povo firme e verdadeiro, que apesar de possuir o estigma de 'arruaceiro', no passado dia oito, aquando a vinda da Imagem Peregrina, mostrou ser um povo ordeiro e civilizado. Encontrei uma igreja iluminada e acolhedora que me faz sentir 'em casa'. Aprendi a conhecer o Senhor Padre Martins Júnior, sempre atarefado com o seu povo, principalmente com os seus jovens e crianças, sempre disponível para atender os seus paroquianos, sempre sensibilizado e fascinado com um gesto de uma criança. Deparei-me com um Homem que ensina a lutar pela construção de um mundo novo aqui na terra e não no além; que cultiva uma fé transparente e assente na verdade, que não se agarra à água benta, às absolvições divinas e, até às orações, para ultrapassar as adversidades da vida, mas sim aos actos quotidianos; que reprova uma cultura de pecado e medo do divino, mas ensina a ser frontal, a pedir perdão e a saber perdoar: 'De que serve pedir perdão a Deus quando não somos capazes de perdoar o nosso vizinho?'…Talvez daqui a uns anos, é bem provável, que se escreva sobre ele e elogie o seu percurso…O povo é assim!.