Por estes dias, a Orquestra Clássica da Madeira (OCM) já deveria ter as malas preparadas para aquela que seria, desde há algum tempo, uma digressão a Portugal continental para concertos, por exemplo, em Lisboa (com Jorge Palma) e em Gaia.Contudo, sabe-se hoje que a OCM vai ficar em 'terra', não por causa das infames cinzas do vulcão Eyjafjöll, mas porque a deslocação foi cancelada por falta de apoios públicos que resultaram em grande medida do temporal de 20 de Fevereiro, segundo explicou o maestro Rui Massena.São as contingências financeiras das novas prioridades de reconstrução, legítimas, é certo, mas que continuam a levantar uma série de dúvidas, já que continua a haver apoios - esses, sim, massivos - a projectos públicos economicamente inviáveis (como é o caso de certas 'noivas caras') que só se mantêm com a canalização de milhões de euros dos contribuintes.Ora, se é consensual que se deve repensar os investimentos, gastos, apoios e afins, era bom que os decisores colocassem no mesmo prato aqueles gastos que efectivamente são desnecessários e que se fossem evitados poupariam, e muito, os cofres públicos. Uma vez mais: se querem poupar, façam-no onde 'conta'.João Filipe Pestana, Editor de 5 Sentidos