António Ferreira Vítor Constâncio não se coibiu de, recentemente, criticar os ditames do governo socialista de Sócrates. Visou directamente as grandes obras públicas e defendeu um 'ajustamento mais brusco, rápido e severo' das políticas económicas. Certamente que o seu novo chefe, Jean Claude Trichet, presidente do Banco Central Europeu rejubilou. Vítor Constâncio alinha em pleno com as directrizes do seu novo capitão e cargo, vice-presidente do BCE. Esta instituição que nada fez para impedir o descalabro da Grécia e o encarecer da taxa de juro da dívida portuguesa poderia facilmente ter pressionado os governos, especialmente o eixo Berlim - Paris, em não deixar os gregos, e consequentemente, o euro, à deriva por tanto tempo. Também poderia ter-se apercebido das contas gregas muito antes de os buracos aparecerem, afinal o BCE também tem a função de fiscalizar a zona euro. Nada disto aconteceu.Sócrates e os socialistas tem motivos para estarem furiosos, durante anos e anos deixaram Vítor Constâncio permanecesse no cargo. Claro que Constâncio retribui o favor mas também é preciso salientar que o, ainda, presidente do Banco de Portugal é um dos homens mais bem pagos no mundo nas suas funções. Enquanto estava sob a alçada socialista nunca piou em oposição aos seus caudilhos socialistas. Falhou redondamente nos casos BPP e BPN e mesmo assim foi promovido. Agora que é não depende deles para nada, dá-se a ares de independência e sobriedade. Mais um sinal que há algo de podre na República Portuguesa.