Mónica Maria Veríssimo Vieira Acabo de assistir, ainda incrédula, a mais um episódio lamentável por parte da Igreja Católica Madeirense para com o humilde povo da Ribeira Seca. Há mais de um mês que se especula sobre a passagem, ou não, da Imagem Peregrina de Nossa Srª de Fátima pelo Adro da Igreja da Ribeira Seca, e quando tudo levava a crer que iria ser dado um passo decisivo na aproximação do Clero Regional com o Povo desta terra, assiste-se a um espectáculo deplorável que em nada dignifica os valores e princípios que norteiam a Religião Católica.A meio da tarde de hoje, dia 8 de Maio, após a confirmação oficial da passagem da Imagem, no Adro da Ribeira Seca, o Povo, não cabendo em si de felicidade, uniu-se e enfeitou a Sua igreja com as melhores flores dos seus jardins e o Adro, com os recursos de que dispunha. Pouco a pouco, uma pequena multidão juntou-se na Igreja e, acalentando o desejo de ver Nossa Senhora de Fátima naquele que é o seu templo por direito, começou a orar. Estávamos prestes a presenciar um momento histórico aguardado há mais de 30 anos… Os rostos dos idosos enchiam-se de emoção, os das crianças de esperança... Era o início de uma nova era na história da Igreja Madeirense.No entanto, o momento mais aguardado da noite, simplesmente não passou de mais uma afronta por parte dos Homens que lideram o poder religioso regional para com a população desta terra. O povo esteve presente, as portas da Igreja nunca se fecharam, e o Padre Martins Júnior de braços e coração abertos ali estava firme para receber Nossa Senhora, que, simplesmente, não veio… Após ter ido à escola local (onde foi preparada a recepção oficial) passou perto da Igreja, mas ao longe, na estrada municipal, onde ficou literalmente, de costas voltadas para toda a população e para a sua modesta igreja que ansiava recebê-la. Isto, o povo não esquece!!! A Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima percorreu todas as Igrejas da Madeira, grande parte das capelas, lares, hospitais, estabelecimento prisional, só não foi à Igreja da Ribeira Seca, o que, claramente, ofuscou a sua passagem pela Madeira. Mas as atitudes ficam com quem as pratica e a Diocese deixou bem claro que, com esta afronta, não quer fazer parte da solução para este impasse. Já o povo da Ribeira Seca deu uma grande lição de civismo, de educação, de união, mas acima de tudo de determinação. Ao Sr. Padre Martins Júnior, fica a minha maior admiração pelo Homem extraordinário que é e o meu Obrigado sentido por todos os ensinamentos que me transmitiu. O povo da Ribeira Seca está consigo incondicionalmente ontem, hoje e Sempre!.