Vivemos sob o signo da obsessão do deficit orçamental que forças exteriores nos impõem como alçapão e que orientem os nossos decisores políticas a enveredar por caminhos contrários aos nossos interesses. O orçamento do Estado recentemente aprovado indicia um ano de 2011 extremamente penoso, de recessão económica, com aumento do desemprego e com níveis de pobreza bem maiores em relação aqueles que presentemente assistimos. Corta-se sem olhar para os efeitos que os mesmos produzirão no bem estar de todos nós. O Importante é cortar para cumprir deficit mesmo que isso implique mais miséria, maiores desequilíbrios, mais instabilidade social, menos progresso, logo menos riqueza. Segue-se uma política que nada tem a ver com a dimensão da pessoa. Nesta época tão sentida por nós, fica-nos a desilusão de um país incapaz de estimular e criar riqueza, que cava, ainda mais, o nosso atraso em relação aos demais parceiros da Comunidade Europeia, mesmo aqueles acabados de chegar e que nos deixa um vazio de esperança para 2011 e sobretudo sem uma estratégia que nos permita acreditar que todos os esforços, uma vez mais pedidos e reforçados, são para o bem comum e não para aumentar, ainda mais, o poder daqueles que já usufruem. Como diz Charles Handy no seu livro O Espírito Faminto "Um governo servo deveria proporcionar a infra-estrutura de vida e não a superstrutura, contudo deveria inclinar essa infra-estrutura para a tornar mais acessível àqueles que não foram tão bem sucedidos na economia de mercado ou que não serão no futuro. Construir infra-estrutura continua a ser da nossa responsabilidade pessoal. É o exercício dessa responsabilidade que dá à vida o seu significado". Boas Festas.
José Manuel Oliveira, Administrador da ALM