Duarte Caldeira Ferreira As alterações climatéricas são um facto na nossa região. Parece que se vão cumprir as previsões dos cientistas: Invernos cada vez mais rigorosos e Verões cada vez mais quentes. Isto a avaliar pelo que tem vindo a acontecer nos últimos tempos. O Funchal cresceu muito, em termos de áreas impermeabilizadas. Novas construções, novos arruamentos e muita incompetência pelo meio. Pensar no amanhã ou, simplesmente nas consequências de tudo isto, é coisa que não entra na cabeça dos nossos governantes: nem na cabeça do "poleiro", nem na cabeça do "poleirinho" ( com muitas aspirações de chegar a "poleiro"). Não pode ser a falta de dinheiro, mas a péssima aplicação dos dinheiros existentes. Veja-se por exemplo quanto se gastou na Estrada Monumental em frente ao antigo Madeira Palácio ( note-se que a partir do momento que a nobreza se foi abaixo neste país, os palácios têm acompanhado esse ritmo) e para quê? Fizeram-se duas pistas, uma em cada sentido, certamente como previsão do que acontecerá em toda a Estrada Monumental, trabalho do "poleirinho", quando grande parte do transito foi desviado para a via rápida. Esse trabalho deveria ter sido feito muito antes da via rápida, o que não quer dizer que fosse mal feito, mas para já desnecessário. Criou-se uma faixa para "bus", para passar um autocarro ou outros veículos de serviço público de quarto em quarto de hora ( estas faixas fazem-se em arruamentos com muito transito, por exemplo no centro do Funchal) e alindou-se a zona com palmeiras importadas, contrariamente á Portaria do Governo Regional, que diz dever dar-se preferência á produção regional, para logo depois substituí-las por outras também importadas do Egipto. Mas, o mais grave de tudo isto, ou melhor deste conjunto de mostras de má administração dos dinheiros públicos, é a criação de uma ciclovia, numa terra onde não é tradição, andar de biciclete, principalmente devido ao forte acidentado da nossa terra. De facto nesta ciclovia vê-se alguns turistas do barco Aida, que para não gastarem dinheiro trazem a bicicletas de bordo e, se calhar também umas sandes para não gastarem dinheiro nos nossos restaurantes ( olhem para estes tesos!!!) á Segunda Feira. De resto durante a semana vê-se alguns madeirenses a fazer "footing" e algumas senhoras com os carrinhos de bebes, mas ciclistas não se vê um que seja. Mas pensa-se em continuar essa ciclovia, leia-se, pedovia, até ao Lido!!! É de bradar aos céus…. Diz-se que não há dinheiro para corrigir asneiras, como aquela que fizeram ao Ribeiro da Nora na Rua D. Carlos I, que, como se não bastasse o estrangulamento provocado pela estrada, ainda o estreitaram e subiram o fundo!!! Há solução fácil para resolver esta situação que põe os residentes e comerciantes da zona, em especial os restaurantes ali existentes a andarem com a cabeça á nora. Ou será que está previsto a utilização de alguma gôndola para esta zona, que pode servir, também para apreciar aquele monstro que tirou a vista mar de quem por ali passa? Referimo-nos á aquele jardim que pretendeu imitar ou substituir as ondas do mar, quando este estava ali mesmo? Ainda não conseguimos perceber, como é que se aprova um projecto desta natureza!!!! Tudo isto representa uma falta de consideração pelos munícipes, em especial daqueles que pagam os seus impostos e que passam um dia a limpar a lama dos seus estabelecimentos e perdem esse mesmo dia de vender alguma coisa, para além de outros prejuízos… Já me esquecia da despesa que obrigaram os Horários do Funchal a fazer, colocando umas "cangalhas" na parte traseira dos horários para transportar bicicletas e que certamente custou uns milhares de euros. A propósito, já alguém viu uma única "bike" nessas "cangalhas"? As tradições não se impõem de cima para baixo. Bem, "poleiro" e "poleirinho" que se entendam e resolvam o problema da zona velha, Ribeiro da Nora, Rua de Santa Maria, Rua de D. Carlos I e arredores, porque cada vez será pior.