Existem argumentos válidos e sérios para pensarmos que a Região Autónoma da Madeira tem concelhos a mais, e por isso, provocam um peso na administração pública e local muito grande, que se poderia diminuir se houvesse vontade política para tal. Não é novidade para ninguém que a Madeira tem concelhos a mais e que se poderiam reduzir alguns, criando novas dinâmicas e juntando meios que se tornariam mais eficazes e mais baratos para a administração pública. Naturalmente que qualquer decisão neste sector esbarra com um argumento de peso, numa época em que o desemprego nos bateu à porta, em que cada vez encontramos menos emprego, menos locais para trabalhar e menos lugares disponíveis, sobretudo para colocar os mais jovens. Para isso existem os especialistas, os gestores da causa pública, que saberão certamente fazer as contas e apresentar as sugestões que conduzam a uma máquina menos pesada na administração pública regional. A Madeira não pode continuar a comportar 12 concelhos num espaço territorial tão pequeno. Vejamos, por exemplo, a zona Oeste da Ilha da Madeira, onde existem actualmente quatro concelhos. As vias rápidas, as novas acessibilidades, as infra-estruturas públicas construídas nos últimos dois decénios, reduziram as distâncias e, de certo modo, mostram a ineficácia da existência de uma administração tão repartida. Na cidade de Lisboa, que tem a dimensão que conhecemos, está em discussão uma proposta de divisão administrativa que extinguirá cerca de metade das freguesias, algumas criadas no século XII. Das 53 freguesias existentes, a proposta prevê a extinção de 26. No Funchal, não obstante ter uma taxa de ocupação de solo muito alta, também poderia haver lugar a alguma redução. A zona metropolitana do Funchal integra cinco freguesias. Não será de ânimo leve que se proporá a extinção de concelhos na Madeira. Não é uma questão que se esteja a abordar pela primeira vez em público ou que eu pretenda, sequer, fundamentar. O estudo deve ser feito por uma equipa multidisciplinar, com competências para tal. O que é necessário é coragem política para tomar a iniciativa e preparar a Madeira para uma gestão pública moderna e com um futuro mais eficiente. E acho que a ocasião, embora aponte constrangimentos como a do necessário corte de diversos lugares no funcionalismo público regional, é a melhor. Estamos, possivelmente, no final de um ciclo em que o poder e a maioria social-democrata podem fazer passar sem grande contestação essa reforma. Há poucos dias um jovem dirigente regional, com influência partidária no lado da maioria, lamentava que se esteja a perder uma oportunidade soberana de levar adiante a reforma que, segundo me disse, já se fala em círculos do partido governamental, mas que não encontra na cúpula do PSD o acolhimento necessário. Os entraves estarão dentro do próprio partido, onde a diminuição de lugares elegíveis não é bem recebida. Na oposição, ciente de uma intervenção pública que não tem conseguido ganhar, também surgirão arrepios. Entre Câmara de Lobos, Ribeira Brava, Ponta do Sol e Calheta há que escolher dois. No Norte, entre São Vicente e Porto Moniz, um pode ser eliminado. Na zona Leste a freguesia do Caniço pode vir para o Funchal e entre Machico e Santa Cruz tem de haver coragem para decidir qual dos dois ficaria. Uma proposta utópica? Receio que seja esta a reacção governamental. Mas é uma ideia para discussão que pode unir vontades e resultar na eficácia que uma gestão administrativa moderna requer no futuro. Terei certamente alguns apoios, nem que sejam morais…