J. Edgar Marques Da Silva A reciprocidade entre o prazer e o desejo é coisa natura. Na política temos muitos exemplos, é como juntar "a fome com a vontade de comer". Sócrates delicia-se em ser primeiro - ministro, o prazer quase que o mata; Passos Coelho morre de tanto ansiar em o ser, deseja-o tão ardentemente que ambos salivam enquanto se disputam. Quando o prazer de um é o desejo do outro, então aquilo que os une apesar de não o parecer, é mais forte que aquilo que aparentemente os desune. Eis uma das razões porque a politica é um eterno faz de conta. Eles só vivem se coexistirem entre si, ambos morrem, se apenas um deles perecer. São gémeos siameses impossíveis de separar. Desejo e prazer duas faces da mesma moeda. AJJ aqui o prazer confunde-se com desejo ardente, omnipotente e omnipresente, causa provável de convívio em demasia com o poder, este corrompe, desvirtua e o "monge veste" finalmente o habito, o prazer e o desejo fundem-se tornam-se unos e indivisíveis, ascendem a uma dimensão de poder e controlo, em que o prazer torna-se uma constante do desejo. Eis uma das razões porque os políticos (alguns), são actores, numa falsidade sem fim. Num casal, a manutenção entre o desejo de um e a complementaridade do prazer do outro permite uma união duradoura e intemporal, deliciam-se e esventram-se até se tornarem num só, numa entidade que não dispensa a interactividade da sua dualidade que lhes deu origem. Eis uma das razões das bodas de ouro ou de diamante. A miséria e o coração: dão origem à misericórdia, a miséria deseja o coração, este morre de desejo pela miséria, a sua união faz nascer a misericórdia, um adora o prazer o outro o desejo, e assim nascem bancos, fundações e um sem fim de "investidores" que vivem, dependem da manutenção e continuidade da miséria, do miserabilismo social, esta não pode acabar seria o fim do prazer do coração cuja libido e status social depende a sua razão de existir. Eis porque sempre os mais fracos continuam a ser alvos preferenciais dos governos, quanto mais miseráveis, tornam-se bons pagadores, eternamente fieis e agradecidos aos corações dos nossos governantes, apenas preocupados com a manutenção do poder, dos seus desejos e prazeres, e a quem agrademos votando, ora nuns ora noutros, e eis porque eles dividem o poder à trinta e cinco anos, fazendo de nós campeões nas estatísticas dos melhores na Europa em tudo o que não presta em tudo o que é miséria. No natal tempo de paz e harmonia não escapa a esta doentia dualidade, em que a humanidade não consegue dispensar o desejo, o prazer, de gastar, o que tem e o que não tem, esquecendo com tanta facilidade o sofrimento e a miséria em que muitos corações vivem, lavando as nossas consciências pela solidariedade momentânea em actos de pura misericórdia, em que julgamos aliviar a miséria e os corações de alguns "desfavorecidos" em simultâneo que outros parecem todo o ano "ganhar" investindo na erradicação da miséria, dando o peixe, mas não ensinando a pescar. Trabalho e prostituição infantil, crianças abandonados nas lixeiras remexendo, guerras, fome, doenças, tudo isto não parece diminuir antes pelo contrário, os mass media o assim provam todos os dias: eis um mundo infernal, que estamos deixando de legado ás nossas criancinhas.