As primeiras denúncias da prostituição infantil na Madeira surgiram entre 1989 e 1990. As mais diversas abordagens do tema foram rebatidas pelo Governo. A ficção "Até Amanhã, Mário", de S. Nordlung, foi obstaculizada pela governação por se tratar de um "filme inimigo da Madeira". A 17 de Outubro de 1993, o Governo Regional decidiu fechar a "Escola Aberta" das crianças de rua. A ONG belga W. Morkhoven denunciou o caso dos vídeos de pornografia infantil com crianças da Madeira. João Jardim falou em cabala contra a Região. A revista alemã Tourism Watch, em Fevereiro de 1998, publicou um artigo sobre a "cadeia de exploração infantil na ilha da Madeira" e a "aliança entre o Governo Regional e a Diocese para silenciar os casos de pedofilia infantil". O Governo referiu-se a uma "campanha contra a imagem da Madeira" (DN, 12/03/1998). Em Março de 1998, os deputados-advogados do Governo moveram queixa-crime contra o Expresso, a Grande Reportagem e o DN na sequência das notícias sobre os alargados envolvimentos da pedofilia. A visita à Madeira da deputada flamenga Nelly Mães, conhecida pelo seu combate contra a pedofilia, foi repudiada pela governação. O Relatório do Provedor de Justiça (1998) confirma como a Madeira está "particularmente exposta ao problema da pedofilia". Numa sessão, nesse ano de 1998, na UMa, João Jardim disse que estava claramente montada a "cabala contra a Região" (cf.: DN, 12/03/1998). Prevaleceu até agora a ideia conspirativa do cerco fatal, e o Regime rejeitou identificar o problema.

Em 2010, o Regime aceita construir uma estratégia para a erradicação da prostituição infantil. Desde 1997, a CDU apresenta propostas neste sentido. Mais tarde ou mais cedo, a Madeira acabará por adoptar medidas de fundo para a resolução deste problema de Direitos Humanos.

Edgar Silva, Líder do PCP-Madeira