Francisco Leite Monteiro As noticias que têm vindo a público, a propósito de uma hipotética construção de mais um hotel no Porto Santo, desta vez junto ao campo de golfe e, a custos do erário público, justificam apreensão, importando que, quem de direito, clarifique sem deixar lugar a dúvidas e, para bem da verdade, qual é a situação de facto.

O Porto Santo e o campo de golfe, tem sido um tema por mim diversas vezes abordado, a última das quais, há cerca de 2 meses, a propósito de uma outra notícia que dava conta, por via de extrapolações um tanto especulativas, de resultados fantásticos do golfe do Porto Santo e do impacto que representaria, nomeadamente, para a hotelaria e outras actividades conexas.

Ora, sabendo-se que a situação da exploração hoteleira do Porto Santo, em resultado da oferta exceder largamente a procura, é deficitária e causa para paralisação, durante a maior parte do ano, da generalidade dos estabelecimentos, bem como para a suspensão de projectos turísticos, como é o caso do Colombo Resort, não parece fazer sentido falar-se na construção de mais uma unidade hoteleira, enquanto a capacidade das existentes, todas elas suficientemente próximas do campo de golfe, derem resposta para as reais necessidades do campo. Além disso, convém ter presente o facto de o golfe continuar a ser um sorvedouro de dinheiros públicos, que começou com o investimento inicial - a que faltou o apoio expectável por parte do concessionário do casino, cujo projecto abortou - continuando o erário público a suportar a maior parte dos encargos operacionais, desde a abertura do campo de golfe, por serem insuficientes os fundos gerados pelas receitas de utilização.

Toda a questão assume uma ainda maior relevância, depois de também o Grupo Pestana, ponderadas as circunstâncias e reavaliada, naturalmente, a rentabilidade do que seria o seu segundo projecto imobiliário turístico no Porto Santo, como foi anunciado, ter optado por adiar e esperar "um ano e meio a dois anos até estarem reunidas as condições para o projecto começar a andar" considerando que "Esta não é a altura certa" [Diário de 03.12.2010].

Para que se não imagine que é por estar contra o Porto Santo, como já vi escrito, e ser, precisamente, pela inversa que se manifesta toda esta apreensão, se alerta quem de direito e se espera que de uma vez por todas, com toda a transparência, com menos teorização e mais realismo, se clarifique toda a situação e outrossim, em relação ao campo de golfe, que seja demonstrado, com rigor, o equilíbrio entre as despesas e as receitas, especificando as suas origens.