Começo pelo meu registo de interesses: fui durante 9 anos adjunto do Vice-Presidente do Governo, João Cunha e Silva, e apesar de em consciência julgar que o consigo fazer de forma imparcial, admito que sou suspeito para falar dele. Para dissipar dúvidas, nesse tempo, tudo o que de mal se diga do seu desempenho da função poder-se-á dizer de mim. Por uma simples razão: não é pelo facto de já não integrar as tropas que um soldado esquece as lutas que travou ao lado do comandante. Vem isto a propósito de uma conferência em que foi orador e onde abordou o tema do CINM de uma perspectiva completamente nova, mas que passou totalmente despercebida. Até aí a questão só havia sido colocada no plano da mera vontade política do governo português em reabrir o dossier junto da Comissão Europeia e retomar uma negociação que abandonou voluntária e inexplicavelmente, com base em argumentação ridícula e patética: a ladainha da perda de receita fiscal. Ele colocou-a ineditamente num plano jurídico: a defesa do CINM por parte do Estado não depende de vontade política, é antes uma obrigação legal, por força do Estatuto Político-Administrativo, cujo artigo 146º impõe aos órgãos de soberania a defesa da competitividade do CINM. É certo que depois um Secretário de Estado elevou-a a outro patamar de autoridade intelectual e sentido de Estado: enquanto ele lá estiver a coisa não muda... Não pude deixar de lembrar-me de uma frase que tantas vezes o ouvi dizer: aponto para o céu e olham-me para o dedo...
Nuno Teixeira - Eurodeputado do PSD-M