740 mil euros para 19 carrinhos. Em ano de crise e de contenção esta foi mais uma das prioridades do Governo Regional.

Realmente, a questão das prioridades do Governo Regional é algo que me incomoda e, por vezes, me deixa verdadeiramente perplexa.

São os milhões para o Estádio dos Barreiros quando a cidade precisa de obras para melhor responder ao mau tempo, são as viagens e os carros quando há empresas na área da saúde com a corda ao pescoço, são subsídios milionários a um órgão de comunicação social enquanto os outros fazem das tripas coração para se manterem à tona de água, é um orçamento feito à medida de outros anos, em que não havia dívidas às farmácias, aos fornecedores de equipamentos médicos ou de medicamentos, em que os pagamentos eram feito a tempo e horas, ou pelo menos em prazos mais razoáveis.

Em boca pequena, porque nestas situações poucos ou nenhuns querem dar a cara, as pequenas e médias empresas falam das dificuldades de sobreviver quando um dos principais clientes é um dos piores pagadores de sempre. Alguns laboratórios farmacêuticos já têm relutância a fornecer seja o que for ao Serviço de Saúde porque muitos estão há três anos sem receber pagamentos da Região e até a Associação Nacional de Farmácias equacionou deixar de enviar medicamentos para as farmácias da Região devido às dívidas avultadas.

Mas o 20 de Fevereiro trouxe uma solidariedade sem igual. Vieram as desculpas e os pretextos para aguentar mais uns meses, veio a Lei de Meios e as benesses do Estado e da Europa e foi como se uma esponja tivesse passado em cima de todos os erros do passado e presente. O problema é que quase dez meses depois, os problemas só se intensificaram e os calotes do Governo aumentaram tornando insustentável para muitas empresas a simples continuidade de funcionamento.

E na mesma semana em que o Madeira Medical Center assume as dificuldades financeiras, aumentadas pelos calotes do Governo (problemas que o presidente do Executivo definiu como “problemas de paróquia”), ficamos a saber que a prioridade está na aquisição de 19 novos carros e que pelo menos alguns partidos têm dinheiro suficiente para tornar panfletos gratuitos mensais em panfletos gratuitos quinzenais, além de outro gratuito que custa mais de três milhões por ano e que sai dos bolsos de todos nós.

Realmente vivemos numa grande paróquia, de visão limitada, provinciana, em que os pobres continuam cada vez mais pobres, mas na mesa do abade não podem faltar nem alimentos, nem viagens, nem carros, nem os sermões diários devidamente impressos. Há prioridades fantásticas, não há?