R. M. No passado dia 22 de Setembro eu grávida na altura de aproximadamente sete meses, a minha filha menor e o meu companheiro, sofremos uma acção de despejo ilegal pois tinhamos cerca de três meses de renda em atraso. o certo é que a senhoria ameaçou fazer isso verbalmente, e uns dias depois passou das palavras ao acto, enviando cerca de 10 a 20 homens ao local para retirar portas e janelas, sofás e camas, mexendo e atirando o que era nosso para o chão sem que estivéssemos em casa e sem ordem legal para fazer tal coisa. Se o meu companheiro não tivesse chegado a tempo e se não tivesse chamado a PSP ao local ficaríamos sem nada provavelmente, o que aconteceu uns dias depois. Fecharam a casa e levaram as nossas coisas nem sabemos para onde ou se ainda existem pois ameaçaram desfazer-se de tudo.Como estamos a atravessar uma grave crise financeira não tínhamos dinheiro para alugar outra casa e a Segurança Social indicou-nos que ligássemos para o 144 que nos dispensou uma residencial por alguns dias. Entretanto estivemos sempre à procura de apoios os quais até agora só tivemos resposta negativa. Dizem que apesar do meu marido estar desempregado e sem subsídios o rendimento do agregado familiar que é o meu vencimento e que só serve para pagar créditos bancários, não nos dá direito a nenhum apoio e até o apoio judiciário que pedimos foi aceite com um valor mensal absurdo, o qual contestamos por escrito e agora nem isso nos dão. O certo é que na residencial onde estávamos, pagámos a quantia de aproximadamente 200€ e depois nunca mais nos disseram nada ao que pensámos que a Segurança Social ou outra entidade estivesse a fazer algo por nós, até que o dono da mesma exigiu-nos que pagássemos o montante de 500 € até ao passado dia 22 de Novembro. Como não conseguimos não nos deixaram entrar e apesar de no dia seguinte termos feito esse pagamento e assegurado que faríamos o restante nos próximos dias com a ajuda de uma pessoa que se ofereceu para tal, não nos deixaram sequer tirar o pouco das nossas coisas que ainda conseguimos trazer da casa na altura daquela ilegal acção de despejo. Apesar de nos termos inscrito no instituto da habitação e nas habitações da Câmara Municipal do Funchal e de termos explicado a nossa situação emergente, a única solução fomos nós que encontramos, a de comprar casa e pedir um multiopções para amortizar as dividas e para fazer a escritura e nem nos vai sobrar para as obras que são necessárias especialmente na cozinha e para alguma peça de mobília, só que apesar de já termos a primeira aprovação ainda aguardamos resposta final que tudo indica ser positiva mas o tempo está a passar e o meu bebé está quase a nascer e nada de lado nenhum, e desde a acção de despejo que estou com gravidez de risco pois a minha tensão disparou e o liquido amniótico diminuiu. Não entendo, sei que o país está em crise, mas numa situação destas como podem haver tantos "nãos", tantos entraves, tanta critica em vez de ajuda?? Nós só precisávamos de um sitio provisório por dois ou três meses, um emprego para o meu companheiro e algum apoio para os nossos filhos, principalmente para o que vai nascer, que até já tinha algumas coisas as quais tive que comprar tudo novamente pois a senhoria da casa privou-nos de tudo, pois não temos local ainda para as por. Para finalizar, pois infelizmente aqui não tenho espaço para descrever tudo como deve ser, quero mencionar que as poucas ajudas que temos conseguido são de duas pessoas que passam por algumas dificuldades, mas são pessoas que por isso mesmo, sabem o que é precisar e não ter, enquanto que outras com muito ou com suficiente para não saberem isso o que é parecem nem ter coração!