Edaismo é algo tão comum e tão frequente que muitas vezes nem nos apercebemos da sua existência. Trata-se da discriminação motivada por razões de idade. É tão habitual que a aceitamos tacita e pacificamente, confundindo-a com falta de educação ou achando-a justificada por razões culturais. Em Portugal, o Código do Trabalho estipula no seu artigo 24.º que "não podendo ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão, nomeadamente, de ascendência, idade, sexo, orientação sexual, estado civil, . . . ., devendo o Estado promover a igualdade de acesso a tais direitos". O princípio subjacente a esta norma é que as pessoas devem ser avaliadas pelas suas competências e não pela sua idade. Apesar disso e nas "barbas" distraídas das autoridades competentes (ACT), todos os dias surgem exemplos de edaísmo. Desde os anúncios de emprego do tipo "pretende-se pessoa até aos 35 anos", passando pela fixação de critérios de promoção que afastam os mais velhos ou os mais novos, até aos "processos de rejuvenescimento de quadros". O problema não é a falta de leis. É sim a falta de consciência cívica e de educação. Cada um deverá assumir as suas obrigações. Aos professores compete-lhes educar as actuais e futuras gerações. Aos gestores de RH cabe-lhes criar uma cultura de "compliance" e não discriminação. À Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) compete fiscalizar o cumprimento das leis. Estou certo que pouco a pouco as pessoas irão tomar consciência dos seus direitos (nos USA 7 colaboradores da Lockheed Martin Corp. foram "americanamente" indemnizados por esta razão) e as empresas passarão a ter outro cuidado, não só por razões legais / financeiras, mas também por razões de imagem pública. Nenhuma empresa quer ver a sua imagem manchada com um caso de discriminação.

José Bancaleiro, Managing Partner