Todos nós já ouvimos falar da história do Sapo colocado na panela de água quente. Ouvi esta história pela primeira vez numa conferência sobre mudança organizacional. Diz-se que um sapo colocado na panela sobre a chama, com a mesma água da sua lagoa, fica estático durante todo o tempo em que a água aquece. O sapo não reage ao gradual aumento da temperatura e morre quando a água ferve. Inchado e feliz, acostumado com a água de sua lagoa. No entanto, outra experiência, com outro sapo, que seja colocado nesse recipiente mas já com a água a ferver da sua lagoa, ele pula, salta imediatamente para fora da panela. Fica "meio" queimado e zonzo, no entanto, continua vivo! Fazendo uma analogia para Portugal, não se percebe porque é que Portugal não Salta!. O mundo mudou muito nestes últimos dois anos, mudou tanto, que são poucas as pessoas que conseguem compreender e acompanhar a mudança. Não perceber isto, é ficar "alheado" com custos de oportunidade, pessoais e profissionais muito grandes. Para além de sabermos que as oportunidades políticas, enquanto país, ainda não estão totalmente identificadas para que possa ser alteradas. É neste sentido, que parece que o nosso governo não pula, ou melhor, não Salta! Está mais que à vista de todos, que a actual situação não pode mais continuar. Já perdemos quase dois anos, sem nada fazer e a esconder a cabeça "debaixo da areia". O actual modelo político, económico e sociológico está ultrapassado, e urgem mudanças assentes em soluções ajustadas às realidades de cada região. Ainda se detectam alguns saltos, poucos, diga-se em boa verdade, sendo estes, quase todos no sector privado, e em empresas cujos líderes estão bem preparados e atentos às mudanças. No sector governativo, não se vêem saltos, há "imobilismo" e um "dolce fare niente". O mundo externo muda, mas nós, portugueses e nossos governantes, continuamos ali, "paradinhos", aguardando pacientemente, quietinhos no "quentinho", à espera que a crise passe, para ver se continuaremos a seguir a viver e a trabalhar como antes, como se nada tivesse passado. É este o receio que tenho, ao ver este Portugal, que me recordo da história do sapo.

Ivo Correia, Economista