Em períodos de crise económica o investimento em obras de arte de artistas consagrados assume um papel relevante. Os leilões internacionais de Paris, Londres e Nova York têm revelado uma grande procura dos grandes nomes da arte do pós guerra e moderna que apresentam cotações seguras com assinalável margem de valorização. Obras primas de artistas consagrados aparecem muitas vezes no mercado, nesta época de crise, por razões ditadas a processos de insolvência ou de necessidade urgente de liquidez, possibilitando boas aquisições a preços razoáveis. As obras menos conhecidas ou de artistas emergentes não acompanham esta tendência, apresentando maiores dificuldades de venda, o que provoca um quadro de desmotivação dos artistas em início de carreira, também eles a viverem momentos de grande dificuldade. É neste contexto que as galerias e leilões se confrontam com diminuições das suas vendas, sendo forçadas a descer as suas margens. Perante uma crise de valores civilizacionais que, ao que tudo indica, implicará uma alteração das nossas vivências comportamentais, nomeadamente no que envolve a propensão para o consumo, será que iremos assistir ao nascimento de um novo movimento artístico que reflicta este momento de viragem? Será que os artistas emergentes conseguem reinventar o seu espaço de mercado? Será que a Arte continuará a espelhar o mundo que a rodeia? Estas são algumas das questões com que os artistas e o mercado de arte se debatem nos nossos dias.
Raquel Fraga, Historiadora de arte