Manuel de Nóbrega A 30 de Dezembro de 2010, a Associação dos Amigos do Jardim Botânico inaugura um "in memoriam" daquele que foi o primeiro Director técnico do Jardim Botânico da Madeira. Apresentamos um documento distribuído à comunicação social através da Rádio Marconi, a 30 de Abril de 1960, onde se diz: "Por deliberação de hoje da Junta Geral do Distrito Autónomo do Funchal sob a presidência do Engenheiro António Camacho Teixeira de Sousa, foi criado o Jardim Botânico da Madeira, na Quinta do Bom Sucesso, da qual depende a Quinta das Cruzes com o respectivo orquidário. A mesma deliberação designou para Director daquele Jardim Botânico o Agrónomo Rui Manuel da Silva Vieira, autor de diversas obras da sua especialidade e de trabalhos sobre pesquisas, desenvolvimento, prospecção e protecção da agronomia madeirense. É presidente da Comissão Distrital da Assistência, Director da Escola Agrícola no Lugar de Baixo. A presente decisão dá cabal satisfação às velhas aspirações dos madeirenses e é por isso recebida do melhor agrado comum, assim como a nomeação do respectivo Director que cai num técnico sobejamente conhecido pelo seu alto nível técnico." Rui Manuel da Silva Vieira conseguiu reunir o II Congresso Internacional Pró-Flora Macaronésica na Madeira, desde 19 a 15 de Junho de 1977. As actas deste congresso estão publicadas, onde se apresenta o verdadeiro nível científico do mesmo. Depois dos grandes trabalhos da colonização, a Madeira chegou ao momento de entrar na vida técnica e científica de acordo com os tempos modernos. Efectivamente, desde o séc. XVIII e desde o dia em que Copérnico fez uma verdadeira revolução na física do cosmos, a que se juntou Darwin, com a revolução da biologia e Lyell na geologia, veio juntar-se ainda Freud com a revolução psicológica proclamando que a criatura humana não é apenas racional, mas é comandada por grandiosas forças do subconsciente. Rui Manuel da Silva Vieira foi homem multifacetado para trabalhos de valor científico e técnico. Recordemos o ordenamento do Parque Florestal das Queimadas, em Santana, juntamente com o Parque de Árvores Frutícolas adjacente actualmente desactivado. Foi Presidente da Junta Geral do Distrito do Funchal, deputado pela Madeira na Assembleia Nacional, eurodeputado em Bruxelas e homem de imensa actividade social e histórica da vida madeirense. É importante lembrar que o Jardim Botânico da Madeira foi altamente investigado por diferentes homens de Ciência, antes do Engenheiro Teixeira de Sousa se encher de entusiasmo para criar a Instituição. Esta afirmação foi feita pelo Engenheiro Pinto da Silva da Estação Agronómica Nacional afirmando que embora tivesse este projecto permanecido século e meio depois de João Francisco de Oliveira ter traçado o estudo para instalar na ilha um jardim de plantas segundo normas técnicas de aclimatação em 1758, estudo que enviou a Vandelli técnico do Jardim Real de Lisboa. Dois outros técnicos opinaram sobre a criação deste jardim, Vogel em 1841 e Welwitch em 1858. Ainda António Sousa da Câmara, Telles Palhinhas, Vieira Natividade, Padre Afonso Luisier e outros abordaram o assunto com grande interesse. Engenheiro Teixeira de Sousa foi de alta importância para o progresso do arquipélago, homem que em toda a parte antes de tomar decisões estudava-as e visitava in loco os trabalhos. Recordo um dos escritos publicados pela Junta Geral do Funchal, onde se referiu que depois de ter verificado que as grandes nascentes do arquipélago se encontravam acima dos 1000 metros e ofereciam possibilidades para irrigar todos os campos agrícolas até aos 700 metros de altitude no sul, deixando uma queda de 300 metros para a hidro-electricidade, é que convidou o Engenheiro Amaro da Costa com a sua equipa para traçar as grandes obras hidráulicas da Madeira que começariam a produzir riqueza imediatamente e pelo mesmo motivo traçou o plano de estradas da Madeira sempre dentro da mesma exigência de produzir riqueza para todo o arquipélago. Este homem nunca recebeu a devida gratidão dos madeirenses e do seu governo. Depois das duas deliberações por parte da Assembleia da Junta Geral do Funchal, discursou o Professor Piérre Dansereau da Universidade de Montreal sobre o papel científico, social e económico dos Jardins Botânicos, referindo o pensamento de Goethe que afirmou serem os melhores empreendimentos de valor universal, aqueles que foram sonhados na juventude e executados na idade adulta. Bem haja "este Homem" Rui Manuel da Silva Vieira pelo exemplo que nos deixou.