Duarte Caldeira Ferreira Muito se tem falado e opinado sobre a crise que Portugal vive. Todos sem excepção atiram as responsabilidades para cima do Governo da República, esquecendo-se que também são co-responsáveis. O Governo Regional desculpa-se com o governo de José Sócrates, esquecendo-se e escondendo a sua própria responsabilidade; nós consumidores queixamo-nos que os impostos estão elevados, mas continuamos a dar preferência a produtos importados do estrangeiro; os comerciantes só pensam no seu lucro, colocando á venda os produtos que lhes proporcionam maiores lucros, muitas vezes sacrificando a qualidade. Ainda outros dão preferências a alguns produtos importados em prejuízo dos produzidos na nossa região. Dou-vos um exemplo. Há algum tempo atrás fui convidado almoçar num restaurante fora do Funchal ( que para o caso não é importante), cuja especialidade é a espetada madeirense. Veja-se o que aconteceu: a carne de vaca era importada ( até que a Madeira não produz praticamente nada de carne de vaca), dos temperos só o louro era madeirense, o alho e o sal, eram importados. O acompanhamento constituído por batata frita, digo batata porque na realidade não era semilha, pois era daquela congelada préfrita, que não sabe a nada, salada ( aqui vou pensar que o alface e o tomate, era de produção regional) e o milho frito, que como sabem é , também importado. A bebida, vinho tinto, era de origem continental, quando a Madeira já produz bons vinhos tintos, mas neste caso não degradava a economia nacional. Claro que recusei a comer as tais batatas de origem francesa prefrita e congelada. Exigi semilhas fritas, mesmo sendo convidado, embora não tivesse feito o mesmo com o vinho, porque aí já iria pôr a pessoa ou organização que me convidou a pagar mais uns tostões… Vejamos, como este exemplo, existem muitos outros. O dono do restaurante deveria ter vaidade em apresentar as melhores semilhas do mundo, dizendo mesmo aos clientes que eram de produção regional. O maior lucro e as facilidades foram mais fortes, mas nós consumidores é que somos os responsáveis, porque se todos nós exigíssemos produtos regionais, talvez a economia da madeira melhorasse muito. Outro aspecto que gostaria de salientar, que é o caso das excursões dos turistas que visitam, em especial o Norte da Ilha. Os responsáveis por essas excursões, exigem aos restaurantes preços tão baixos por uma refeição completa que o vinho que servem só pode ser daquele que vem do continente ao preço da "uva mijona", sem qualidade, quando o indicado deveria ser o vinho madeirense, pois quem nos visita gosta de comer e de beber do que nós produzimos, aliás, como nós fazemos quando visitamos qualquer outra região ou país. Temos um bom exemplo nos cruzeiros. A viagem está tudo incluído menos as bebidas, que curiosamente, também são organizados por empresas iguais, idênticas ou as mesmas. Vamos ajuda a salvar o país e a Região Autónoma da Madeira. Se as nossas importações são superiores em dez por cento em relação ao que se exporta, significa que todos os anos necessitamos de pedir, ao estrangeiro, esses dez por cento para pagar as importações, mais o dinheiro para pagar os juros. Teremos que inverter a situação. Vamos comprar mais vinte por cento produzido na região e no país, para ajudar Portugal a equilibrar a sua balança da pagamentos e ao mesmo tempo pagar as dívidas e os juros da dívida, atrasadas. Os grandes responsáveis somos nós, por isso temos que olhar para a origem dos produtos que compramos e preferirmos em primeiro lugar o que é madeirense, em segundo o que é nacional e em terceiro o que é europeu.