A situação económica de um país é sempre resultado das políticas que são adoptadas pelos seus governantes. Durante muito tempo o Governo de José Sócrates desculpou-se com a crise internacional para justificar o estado de coisas a que chegámos. A crise internacional é um facto, sabemos que teve influência na Europa e no Mundo, entendo é que não vale a pena insistir nisso, porque o fenómeno apenas antecipou o que já estava latente e era previsível.

Portugal está endividado e encontra-se numa situação difícil e vulnerável do ponto de vista económico, financeiro e social, nomeadamente no que respeita ao desemprego.

A noção destes problemas deve ser para todos nós a assumpção de um desafio maior a vencer e a começar já em 2011! Pois os efeitos secundários ou colaterais das soluções impostas pelo Governo da República são geradores de injustiças sociais e geracionais!

Lançaram-se e aumentaram-se impostos exactamente nas áreas que permitem alguma poupança e efectuaram-se cortes sociais em sectores que compete ao Estado proteger!

Verificamos que são constantes os apelos para a redução do défice, às empresas para que sejam mais eficientes, ao trabalho para que seja mais flexível e produtivo, às famílias para que poupem mais. Mas pergunto: será possível fomentar a poupança quando atacam-se os salários, aumenta-se o IRS, ou quando se cortam os abonos de família?! Não creio! Com isto, apenas estamos a reduzir, cada vez mais, o nível de subsistência das pessoas.

Relativamente às empresas, são precisas políticas estruturantes. Hoje as insolvências têm sido em grande número e diariamente são muitas, particularmente, as pequenas e médias empresas, que lutam pela sua sobrevivência, e que assistirão ao agravamento das suas contribuições para a segurança social, já a partir do dia 1 de Janeiro de 2011, data de entrada em vigor do código contributivo.

Portugal sempre apostou no consumo interno, despesa pública e não no investimento e exportações, tão necessários para a criação de riqueza e crescimento económico. O país precisa alterar o seu modelo social e económico. Entendo que a solução das questões económicas não pode voltar a ser adiada e as questões sociais, como o desemprego e a pobreza não podem ser vistas isoladamente, porque só há Estado Social, se houver dinheiro para distribuir!

Não deixa de ser curioso, e termino com esta reflexão, de que a actual dependência do País em relação ao exterior, que o torna refém dos investidores externos e da dívida, leva a que hoje o Estado Português sinta os constrangimentos e as dificuldades financeiras, que nos últimos anos tem, injustamente, imposto à Região Autónoma da Madeira!

Vânia Jesus, Deputada do PSD na AR