O combate à pobreza e à exclusão social é um problema complexo, com muitas dimensões na região e em todo o mundo. O ano que está prestes a terminar foi dedicado pela União Europeia, ao combate à pobreza e à exclusão social. Apesar de todos as iniciativas e esforços dedicados a este problema, a verdade é que se chega ao fim sem um acordo claro e sem objectivos entre os vários países, nas medidas a adoptar e nas metas concretas a atingir a curto e a médio prazo, para minimizar um flagelo regional, nacional e europeu num cenário de fortes constrangimentos sociais e económicos, em que as previsões apontam para uma progressiva degradação das condições de vida e de trabalho para 2011. A União Europeia é considerada uma das regiões mais ricas, nela vivem actualmente mais de 80 milhões de pessoas abaixo do limiar de pobreza. Atento a este flagelo o presidente da Comissão Europeia, afirmou recentemente que mantém o compromisso na luta contra a pobreza e a exclusão social em prol de uma sociedade mais justa e solidária, procurando assim continuar a trabalhar para reduzir o número de pobres. Uma pessoa pode ser considerada pobre por várias razões, pode estar numa situação de ausência ou auferir baixo rendimento, pode estar numa insatisfação das necessidades humanas básicas como a comida, o vestuário, o alojamento e a segurança. Geralmente é a conjugação de vários factores que determinam a situação. A pobreza é uma condição, é um modo de vida que afecta a relação da pessoa com o mundo que a rodeia e que vai para além dos rendimentos baixos, é uma situação que caminha lado a lado com a falta de poder, a humilhação e um sentimento de exclusão no acesso a bens e serviços sociais, tornando-se muitas vezes num ciclo vicioso. A pobreza e a exclusão social deterioram a saúde das pessoas e reduzem a capacidade para escapar á situação; são estas muitas vezes as que enfrentam maiores dificuldades e desigualdades no acesso a cuidados de saúde e se vêm confrontadas com os maiores problemas de saúde, é nesta situação que é mais frequente o maior numero de doenças infecto contagiosas, mortalidade materno infantil, deficiências nutricionais e o agravamento das doenças crónicas. Sendo a saúde um bem que deve ser promovido e protegido deverá ser uma preocupação fundamental de quem governa a saúde. A intervenção dos enfermeiros pela natureza dos cuidados que prestam, pelo trabalho que desenvolvem e pelo conhecimento que têm dos grupos vulneráveis, coloca-os bem posicionados no trabalho que fomentam com as pessoas, as famílias, os grupos e a comunidade, orientando, encaminhando e assistindo no acesso à saúde e na salvaguarda das condições de vida e respeito que as pessoas merecem. A todos os leitores do DN, apesar do contexto adverso, muita esperança e um bom ano 2011.

Juan Carvalho