Habitualmente, nestes dias que antecedem o final de ano, diversos órgãos de comunicação social elaboram em retrospectiva, a listagem dos notáveis - ou deveria dizer, famosos - que faleceram ao longo do ano. Gente que por algum motivo se distinguiu do comum dos mortais pelos suas acções; criatividade ou pelo contributo nas mais variadas áreas de intervenção e que produziram efeitos na sociedade local ou internacional. No corrente ano e nas artes em particular, foram diversas e importantes figuras que desapareceram do nosso convívio. Por vezes até pensamos que os artistas são seres imortais. Mas não é assim. Imortal é a obra que fica e que nos ajuda a viver! Em 2010, despedimo-nos de personalidades tão conhecidas como "os nossos" Virgílio Teixeira, José Saramago, António Feio... ou ainda Blake Edwards, Tony Curtis, Dino De Laurentiis, Dennis Hopper e Mário Monicelli. Entre os menos conhecidos - há quem os designe como elitistas (!) - também lamentamos o desaparecimento de Eric Rohmer; Claude Chabrol, Lena Horne, Joseph Stein, Jean Rollin, Arthur Penn, Elizabeth Beresford, só para citar mais alguns. Ao me inteirar da extensa listagem, fico com a certeza da obra por eles deixada se tratar de uma herança, mas também com a sensação do legado ser mal aproveitado. Porquê? Por falta de motivação... por falta de tempo para o seu consumo! Cabe agora ao indivíduo procurar como melhor souber e aos agentes culturais a obrigação de a difundir, como melhor puder. Analistas dizem que em momentos históricos de profunda crise e por força das alterações no modo de vida, aumentam os consumos dos bens culturais. Assim, é fácil adivinhar que o Ano Novo trará ao comum mortal novas e melhores orientações nos hábitos de consumo cultural. Valha-nos este enriquecimento! Votos de um Bom Ano Novo.

Henrique Teixeira - Director do Funchal International Film Festival